segunda-feira, 1 de novembro de 2010

DILMA ROUSSEFF É A 1ª MULHER PRESIDENTE DO BRASIL

Reproduzo artigo de Magela Lima, do jornal O POVO

O relógio mal passava das 19 horas (horário de Fortaleza) quando a matemática das urnas bateu o martelo: Dilma Rousseff (PT) estava eleita presidente do Brasil. Com 99,97% da apuração concluída, ela somava mais de 55 milhões de votos, encerrando, assim, a disputa com o tucano José Serra e entrando para a História como a primeira mulher a assumir o posto máximo da democracia brasileira.

Fato esse que ela fez questão de frisar sua relevância. Em seu primeiro discurso público, realizado num hotel na região central de Brasília, no qual reuniu imprensa e principais apoiadores, Dilma Rousseff assumiu publicamente o compromisso de transformar esse fato inédito em algo natural. “Sim, a mulher pode”, disse, projetando o destaque que tivera nas urnas para outras áreas de atuação das mulheres brasileiras.

Concorrente de Dilma no primeiro turno das eleições, a senadora Marina Silva (PV), pelo Twitter, parabenizou a petista pelo feito e lembrou: “Aquela que era a candidata de uma parte dos brasileiros, a partir de agora, é a presidente eleita de todos nós nos próximos quatro anos”. A prerrogativa de união nacional também demarcou o tom discreto e equilibrado da comemoração de Dilma.

A presidente eleita foi categórica: “Estendo minha mão aos partidos de oposição”. Dilma Rousseff garantiu, ainda, que, em seu governo, não haverá espaço para compadrio e agradeceu, inclusive, a não quem não voltou nela em nenhum dos turnos desta eleição, reconhecendo a disputa como o que chamou de “festa da democracia”. Falando não mais a apoiadores, mas, sim, à Nação, ela convocou as pessoas de bem do Brasil a se engajar na luta pela erradicação da miséria.

Embora tenha reafirmado como tal sua principal meta, Dilma frisou que esse desafio não deve se restringir ao Governo. “Não podemos descansar enquanto houver um brasileiro com fome”, defendeu. Emocionada, sobretudo quando agradeceu o empenho do presidente Lula durante toda a campanha, Dilma Rousseff afirmou ter no companheiro de partido o exemplo de um “governante justo e apaixonado por sua gente” e declarou que todos os compromissos firmados “serão perseguidos de forma dedicada e carinhosa”. O Brasil agradece.

Brasil e as concessões de rádio e TV

Reproduzo artigo intitulado: Brasil - O fim da concessão da TV Globo, postado no site ADITAL, por Altamiro Borges em 26/09/2007

...De acordo com a Constituição de 1988, a concessão pública de TV tem validade de 15 anos. Para que ela seja renovada, o governo precisa encaminhar pedido ao Senado, que pode aprová-lo com o voto de 3/5 dos senadores. No caso de rejeição, a votação é mais difícil. A proposta do governo deve ser submetida ao Congresso Nacional, que pode acatar a não renovação da concessão da emissora com os votos de 2/5 dos deputados e senadores. Antes da Constituição de 1988, esta decisão cabia exclusivamente ao governo federal. A medida democratizante, porém, não superou a verdadeira "caixa-preta" vigente neste processo, sempre feito na surdina e sem transparência.

Baixarias e lixo importado
Como explica o professor e jornalista Hamilton Octávio de Souza, "os processos de concessão e de renovação têm conseguido, ao longo das últimas décadas, uma tramitação silenciosa e aparentemente tranqüila, com acertos apenas nos bastidores - especialmente porque muitos dos deputados e senadores também são concessionários públicos da radiodifusão, sócios e afiliados das grandes redes e defendem o controle do sistema de comunicação nas mãos de empresários conservadores e das oligarquias e caciques políticos regionais - os novos ‘coronéis’ eletrônicos". Na prática, Executivo e Legislativo não levam em conta nem as próprias normas constitucionais.

Entre outros itens, a Constituição de 1988 proíbe a monopolização neste setor, mas as principais redes atuam como poderosos oligopólios privados. Além disso, exige que a comunicação social promova a produção da cultura nacional e regional e a difusão da produção independente, mas as redes - em especial a Globo - impõem uma programação centralizada e importada da indústria cultural estrangeira. Ela também exige que a TV tenha finalidades educativas, artísticas, culturais e informativas, mas as emissoras produzem e veiculam programas que não atendem esse preceito constitucional. "Elas despejam em cima da população programas de baixaria e o lixo importado, que nada têm a ver com a identidade, os valores e a cultura nacional", observa Hamilton.

Manipulação e deformação da sociedade

Além de deformar comportamentos, com efeitos danosos na psicologia social, a mídia é hoje um instrumento político a serviço dos interesses das corporações capitalistas. Como decorrência do intenso processo de monopolização do setor, ela se tornou um verdadeiro "partido do capital", conforme a clássica síntese do intelectual italiano Antonio Gramsci. Ela manipula informações, utilizando requintadas técnicas de edição, com o intento de satanizar seus inimigos de classe e endeusar os aliados. A defesa do "caçador de marajás" Fernando Collor, a cumplicidade diante dos crimes de FHC e a oposição ferrenha ao governo Lula confirmam esta brutal manipulação.

Estas e outras aberrações da mídia - monopolizada, desnacionalizada e manipuladora - ficaram patentes no ano passado. Vários institutos independentes de pesquisa provaram que a cobertura da sucessão presidencial foi distorcida, "partidarizada". O livro "A mídia nas eleições de 2006", organizado pelo professor Venício de Lima, apresenta tabelas demonstrando que ela beneficiou o candidato da direita liberal, Geraldo Alckmin, ao editar três vezes mais notícias negativas contra o candidato Lula. "A grave crise política de 2005 e a eleição presidencial de 2006 marcam uma ruptura na relação histórica entre a grande mídia e a política eleitoral no Brasil", afirma Venício.

Tentativa de golpe na eleição

Neste violento processo de manipulação caiu a máscara da TV Globo - que até então ainda iludia alguns ingênuos, inclusive no interior do governo Lula. A sua cobertura na reta final das eleições foi decisiva para levar o pleito ao segundo turno. Conforme demonstrou histórica reportagem da revista Carta Capital, uma operação foi montada entre o delegado da Polícia Federal Edmilson Bruno e a equipe da Rede Globo para criar um factóide político na véspera do primeiro turno. Após vazar ilegalmente fotos do dinheiro apreendido na tentativa desastrada de compra do dossiê da "máfia das sanguessugas", que incriminava o partido de Geraldo Alckmin, o policial corrupto ordenou que a difusão das imagens fosse feita no Jornal Nacional da noite anterior ao pleito.

A criminosa negociação foi gravada, mas a TV Globo preferiu ocultá-la. Além disso, escondeu o trágico acidente com o avião da Gol para não ofuscar sua operação contra o candidato Lula. Para Marcos Coimbra, diretor do instituto de pesquisas Vox Populi, a solerte manipulação desnorteou todas as sondagens eleitorais, que davam a folgada vitória de Lula, o que evitou sua reeleição já no primeiro turno. "Os eleitores brasileiros foram votar no dia 1º de outubro sob um bombardeio que nunca tinha visto, nem mesmo em 1989... Em nossa experiência eleitoral, não tínhamos visto nada parecido em matéria de interferência da mídia", garante o veterano Coimbra.

Um debate estratégico

Diante deste e de tantos outros fatos tenebrosos, que aviltam a democracia e mancham a história do próprio jornalismo, ficam as perguntas: é justa a renovação da concessão pública da poderosa TV Globo? Ela ajuda a formar ou a deformar a sociedade brasileira? Ela informa ou manipula as informações? Ela atende os preceitos constitucionais que proíbe o monopólio da mídia e exige que a comunicação social promova a produção da cultura nacional e regional e a difusão da produção independente e que tenha finalidades educativas, artísticas, culturais e informativas? Estas e outras questões estarão em debate nas semanas que antecedem o simbólico 5 de outubro.

À CMS caberá levar esta discussão estratégica às suas bases. Já o governo e o parlamento, que devem zelar pela Constituição, não poderão ficar omissos diante deste tema. "Antes de propor a renovação automática da concessão, os órgãos de governo deveriam proceder à análise cuidadosa dos serviços prestados, com a devida divulgação para a sociedade. Antes de votar novos períodos de concessão, o Senado Federal deveria, em primeiro lugar, estabelecer o impedimento ético aos parlamentares envolvidos com a radiodifusão e, em segundo lugar, só aprovar a renovação que esteja de acordo com a Constituição, a começar pelo fim do oligopólio - já que o objetivo maior deve ser o da democratização da comunicação social", pondera o professor Hamilton de Souza.

domingo, 31 de outubro de 2010

O cérebro muito próximo do fígado (ou: a vocação elitista dos vaidosos intelectuais medíocres)

Reproduzo Artigo de Roberto Buenno, postado no site SejaDitaVerdade.net

Agosto de 1978. Plena efervescência da memorável campanha eleitoral cujo resultado levou ao fim do bipartidarismo imposto pela ditadura de 1º de abril de 1964 por conta da fragorosa derrota do partido de sustentação do regime militar.
Um grupo de calouros da filosofia da PUC de São Paulo estava reunido num bar acolhedor da Alameda Santos, bem próximo de uma emblemática livraria, no bairro Cerqueira César. Com um exemplar da Folha, um universitário entusiasta da candidatura de Fernando Henrique Cardoso (então candidato a senador na sublegenda do MDB; na outra Franco Montoro era candidato à reeleição) recebe uma ducha de água fria ao ouvir o discreto recado de um amigo do querido professor Florestan Fernandes, recém-chegado à PUC depois de mais de dez anos de aposentadoria compulsória na USP e docência fora do Brasil: “Vá devagar com o andor, meu jovem. Esse moço tem o cérebro muito próximo do fígado.”
Antes, porém, é preciso registrar que, nessa época, a Folha de S.Paulo, em cujo time havia jornalistas de primeira grandeza como o saudoso Cláudio Abramo, Perseu Abramo, Nelson Merlin, Mino Carta, Newton Carlos, J.B. Natali, Osvaldo Peralva e Newton Rodrigues (entre outros), era, sim, um jornal de vanguarda, ainda que sob intervenção de Bóris Casoy, desde o trágico episódio em que, um ano antes, estivera envolvido Lourenço Diaféria com a sua malfadada homenagem póstuma ao sargento morto na tentativa de salvar uma criança do ataque de uma ariranha num parque em Brasília, e quando da “invasão” do coronel Antônio Erasmo Dias (o temido secretário de Segurança Pública de Paulo Egydio Martins) à redação para pedir a destituição de alguns “comunistas”, entre os quais Abramo, Diaféria e Tarso de Castro (ele, Merlin e Fortuna eram os editores do emblemático Folhetim, ou o Pasquim da Folha, uma paródia do sisudo Suplemento Cultural do embolorado Estadão).
O movimento estudantil engatinhava, depois da avassaladora e sangrenta decapitação de sua vanguarda em todo o território nacional, sob acusação de subversão e terrorismo, não só por meio de mecanismos institucionais obscurantistas (como o AI-5 e os famigerados decretos 228 e 477, de triste memória), mas com a “ajuda” do Esquadrão da Morte (EM), do Comando de Caça aos Comunistas (CCC), da Operação Bandeirantes (OBAN), da Tradição, Família e Propriedade (TFP), entre outras organizações nazifascistas protegidas pelo regime militar, além das execuções acintosas do DEOPS do nefasto Sérgio Paranhos Fleury, do DOI-CODI, do SNI, do SENIMAR etc.
Ao lado de Fernando Henrique Cardoso, que havia sido capa e personagem entrevistado nas amarelas das principais revistas e jornais semanais da época (obviamente à exceção das decadentes Visão, Fatos&Fotos, O Cruzeiro e Manchete, ostensivamente favoráveis à ditadura), aparecia um acanhado ex-presidente da UNE que o regime não havia permitido que fosse candidato naquele ano: José Serra. O pessoal do velho Partidão, hoje PPS (e que fazem parte da coligação “O Brasil pode mais”), cá pra nós, que na época era muito influente no movimento estudantil e na vanguarda do MDB, não morria de amores pelos dois (FHC e Serra), e, especialistas na arte da rotulação dos adversários potenciais, estimulavam rumores de que eles eram suspeitos de trabalharem para grupos ligados à CIA, até pelo fato de haverem sido bolsistas de instituições americanas em plena guerra-fria. E o motivo era óbvio (não para nós, jovens desinformados na época): tanto FHC quanto Serra vinham de outros setores da chamada esquerda nacional (este último um dos influentes ativistas da Ação Popular, grupo nascido no seio da Juventude Estudantil Católica).
Por essa razão, o entusiasta calouro “cabo eleitoral” de Fernando Henrique, retrucara indignado: “Por acaso, o senhor é ligado ao Partidão?” O sábio e ponderado professor da PUC (já beirando os 60 anos) jogou uma pá de cal na raiva do estudante: “Cuidado com o que fala. Mas, ainda que fosse, não iria dizê-lo, nem sob tortura, rapaz!” E para tranquilizá-lo, esclareceu por que havia feito a observação ao seu “inatacável” candidato: “Já ouviu falar de Enzo Faletto e de Alain Touraine? Ninguém melhor que eles para explicar a verdadeira personalidade desse professor, meu jovem. Mas há outro, também fora do Brasil, que pode lhe dar algumas pistas. Deste você deve ter ouvido falar, talvez horrores, mas injustamente. É Darcy Ribeiro, o grande idealizador da UnB.”
Passados alguns anos, ainda sob a ditadura, num seminário sobre os povos indígenas, Darcy Ribeiro apresentava um sábio do povo Guarani, Marçal de Souza, assassinado pouco tempo depois em Mato Grosso do Sul (algo parecido ao assassinato de Chico Mendes, mas que ainda permanece impune). Sob pretexto de pedir um autógrafo num dos livros dele, o então recém-formado mas ainda entusiasta fã do suplente de senador Fernando Henrique “entra de sola” no assunto com Darcy: “Professor, como o senhor vê o professor Fernando Henrique?” O sincero mas habilidoso estudioso da realidade brasileira se saiu com essa: “Um acadêmico muito dedicado que trabalhou ao lado de Teotônio dos Santos no exílio. Não tive oportunidade de conviver com ele politicamente, mas o (Celso) Furtado está no mesmo partido e poderá lhe dar a resposta que procura.”
Não foi possível. Mas quase uma década depois, qual não foi a sua frustração, quando, no segundo-turno de 1989, Ulysses Guimarães, Mário Covas, Leonel Brizola, Miguel Arraes, Celso Furtado, Darcy Ribeiro, Waldir Pires e Celso Brant subiram no palanque de Lula, enquanto FHC e Serra preferiram ficar “no muro”, a pedido do amigo Itamar Franco, candidato a vice-presidente de Collor, que havia convidado o sociólogo da Sorbonne para ser ministro de Relações Exteriores no futuro governo. Isso, aliás, pode ser comprovado pela explícita omissão desses dois tucanos na batalha pelo impeachment de Collor, tanto no congresso nacional quanto nas ruas, enquanto o veterano Ulysses, a despeito da idade e da ingratidão de expressivos setores da sociedade organizada, se posicionara ao lado dos caras-pintadas.
Mas foi no medíocre e entreguista (des)governo tucano de FHC-Serra, recheado de maracutaias e falcatruas de ruborizar José Dirceu (companheiro de Ação Popular de Sérgio Motta e José Serra), Orestes Quércia e até Paulo Maluf, que ficou evidente a advertência, em 1978, do hoje professor aposentado da PUC de São Paulo, amigo do saudoso Florestan Fernandes, de que todo cuidado é pouco com esses “meninos”: venda por valor inferior ao lucro anual da Vale do Rio Doce; compra de votos para a adoção do instituto da reeleição de presidente no fim do seu próprio mandato e que já lhe permitia o direito de ser candidato a reeleição; abandono dos projetos sociais adotados por influência de Dom Mauro Morelli e de Herbert de Souza (Betinho) no governo Itamar Franco para dar origem ao vergonhoso Comunidade Solidária, produto da vaidade do sociólogo-presidente; escândalos como o famigerado PROER, para socorrer banqueiros falidos, além dos casos Salvatore Cacciolla e Daniel Dantas…
E se isso fosse pouco, Serra conseguiu superar seu mestre FHC: além de consolidar uma aliança espúria com órfãos e viúvas da ditadura (UDR, TFP, neonazistas e os extremistas do DEM), realiza uma campanha eleitoral insidiosa e antidemocrática, porque recheada de preconceitos machistas e fascistas, calúnias, anticomunismo (quando são eles os que têm o apoio dos que se arvoravam como os “únicos e verdadeiros comunistas”) e total despolitização – um verdadeiro desserviço para nossa democracia recente, construída graças à generosidade e à coragem dos milhões de brasileiros e brasileiras anônimos, que, igual à Dilma, combateram o regime de arbítrio sem serem “profissionais” da política.
E o que dizer, então, depois de ver o canastrão do Serra se passando por “ético” do Rodoanel; por “protetor” da Petrobrás, do Banco do Brasil, do BNDES e dos Correios; por “pacificador” de meia-tigela, que provoca para posar de vítima (que atira a pedra e esconde a mão, o tempo todo); por “democrata” que não aceita opinião diferente da sua e por tal motivo demitiu Heródoto Barbeiro e Paulo Markun da TV Cultura, além de mandar a tropa-de-choque da polícia militar “dialogar” com os professores que reivindicavam direitos; por “beato” do pau-oco e do aborto mal-sucedido; por “vítima” da bolinha-de-papel e do rolo de fita crepe; por “engenheiro” de obras feitas; por “economista” do Plano Real (aliás, onde ele estava mesmo durante os governos Collor e Itamar?), e, pior, “pai” dos genéricos (o então deputado Eduardo Jorge é que foi responsável por sua instituição no tempo do então ministro Jamil Haddad) e do PRONAF (instituído no tempo do Itamar, quando era ministro da Agricultura Synval Guazzelli), bem como agora anuncia no horário eleitoral as obras em execução do PAC como sendo de seu programa de governo?…
Aí, sim, é que o hoje maduro profissional da filosofia veio entender por que FHC e Serra são de uma laia de pessoas cujo cérebro está muito próximo do fígado, pois, sua trajetória política mistura alhos com bugalhos e acabam pondo os pés pelas mãos. Mas o verdadeiro perigo é estar no caminho deles quando têm alguma obstinação, como a de chegar à presidência, pelo que são capazes até de se aliarem ao DEMO (e não é que o fizeram agora?), no afã doentio de chegar ao Planalto.
O detalhe é que eles se esqueceram de combinar isso com o povo brasileiro. Nas sábias palavras de Chico Buarque, com Lula “o Brasil não precisou falar fino em Washington e falar grosso com a Bolívia e o Paraguai”. Daí por que a extrema-direita, mesmo contra sua vontade e sem botar muita fé, apoia Serra. Já quem os conhece, como o escritor e jornalista Fernando Morais, apoia Dilma. E a melhor explicação para essa conduta veio exatamente de Alain Touraine, anos atrás, quando disse que FHC não estava indo para a direita, mas, sim, estava em decadência. Quem os conhece, não os recomenda, pois, como intelectuais medíocres reproduzem o pior comportamento preconceituoso da elite decadente, como eles.

“Indecisos”, pero no mucho

Reproduzo artigo de Eduardo Guimarães, postado no Blog da Cidadania

Há que reconhecer que a Globo encontrou uma fórmula extremamente eficiente para favorecer a Serra no debate de ontem. É de se imaginar que poucos tenham se dado conta dessa fórmula até que foi possível vê-la em uso.

O modelo de “indecisos escolhidos pelo Ibope” inquirirem os candidatos poupou a estes e ao público dos bate-bocas dos debates anteriores e, assim, favoreceu a Dilma, que ficou muito mais calma desta vez.

A petista foi favorecida ao não ter que se confrontar diretamente com o adversário, pois nos debates anteriores esteve mais nervosa do que ele.

Aí termina qualquer favorecimento ou igualdade de condições para ela, porque o modelo do debate constituiu-se, também, em uma armadilha devido aos tais “indecisos”. Em suas perguntas, pintaram um quadro muito ruim do Brasil.

Saúde, Educação, Segurança, Saneamento, tudo o que perguntaram sobre esses tópicos – e sendo eles de várias partes do país – colocou a candidata do PT em desvantagem, pois diziam frases como “somos tratados como animais na saúde”.

E de quem é a responsabilidade por 500 anos depois do descobrimento ainda haver gente recebendo serviços públicos básicos de má qualidade?

Houve, também, favorecimentos sutis. Willian Bonner modulou a voz para o modo ironia ao cortar a fala de Dilma quando ela estourava o tempo, o que não ocorria quando Serra fazia o mesmo.

Nas considerações finais, por longos segundos Dilma foi enquadrada de muito longe, aparecendo pequenina no centro da tela. Quando a câmera se aproximou, pegou-a meio que de lado.

Já Serra entrou num belo enquadramento de frente do começo ao fim de sua fala final. E a câmera se aproximou de seu rosto quando ele, previsivelmente, deu aquela choradinha básica ao concluir.

Houve empate no primeiro bloco, com questões mornas e poucas indiretas ou até menções ao governo federal, ao PT ou ao governo de São Paulo por cada candidato ao criticarem indiretamente as administrações adversárias.

No segundo bloco, Dilma não foi bem na questão sobre saúde. O “indeciso” não era de São Paulo e, como em outros tópicos, sua crítica remetia ao problema em termos federais.

Ela poderia ter respondido que havia que comparar a situação de hoje com a que Serra e FHC deixaram, mesmo sem citá-los. Naquele momento, porém, começou a enumerar programas em andamento que, diante de crítica forte à situação atual, não explicam nada.

No terceiro bloco, Dilma venceu. Abordou com paixão e sinceridade a questão pobreza e miséria quando um “indeciso” quis saber como parar de dar o Bolsa Família. E rechaçou acusação indireta do adversário sobre o Estado estar arrecadando muito porque os impostos são altos, respondendo que arrecada-se muito hoje porque o bolo sobre o qual arrecadar é maior devido à economia crescer mais do que no governo passado.

Um ponto digno de nota foi a audiência. Durante o debate, no Twitter falava-se em 29 pontos. Não deve ter ficado muito longe disso.

Com tal audiência e com uma vantagem de Dilma que não é tão confortável – sempre de acordo com as pesquisas –, foi bastante arriscado ela participar daquele jogo. Sobretudo porque não é possível que sua campanha não soubesse que os “indecisos” fariam o que fizeram.

Contudo, Dilma teve uma postura muito boa. Em algumas respostas a eleitores pareceu ter sido eficientemente intimista e adotado um tom sincero. Soube responder sem hesitação a tudo e teve sangue-frio até para brincar com Bonner quando o relógio a prejudicou.

Se não houver abstenção em desfavor de Dilma em um nível que desequilibre o estimado em termos de intenções de votos, ela deve manter a vantagem que lhe dão as pesquisas. Serra precisaria ter extraído muito mais dessa oportunidade.

sábado, 30 de outubro de 2010

Bispo divulga carta de apoio a Dilma

Postado no site Carta Maior

Nosso país está em pleno desenvolvimento e assim queremos continuar e, depois de 500 anos, nosso povo quer eleger, pela primeira vez, uma mulher que tem compromisso com a vida e provou isso com sua própria vida. Como? Ela não fugiu para o exterior durante a ditadura, mas a enfrentou com garra e, por isso, foi presa e torturada. Ela queria um país livre, e que todas as pessoas pudessem viver sem medo de serem felizes, vencendo a mentira e o ódio com a verdade e o amor, servindo aos ideais de liberdade e justiça, com sua própria vida. Disse Jesus: “Ninguém tem maior amor do aquele que dá a própria vida pelos irmãos”. A carta é do bispo de Caçador, Dom Luiz Carlos Eccel.
Dom Luiz Carlos Eccel

O bispo Dom Luiz Carlos Eccel, de Caçador, Santa Catarina, divulgou ontem (29), uma carta de apoio à candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff. Segue a íntegra da carta que elogia a recente fala do Papa Bento XVI aos bispos brasileiros e diz que ela aponta para a defesa da vida:

Já havia lido o discurso do Papa Bento XVI, aos Bispos do Maranhão, em visita ad limina apostolorum.

Muito interessante o discurso do Papa. Ele não pode deixar de cumprir sua missão de Pastor Universal, exortando o Povo de Deus, especialmente no que diz respeito à defesa da VIDA.

O Santo Padre foi muito oportuno e feliz nas suas colocações, porque o Estado Brasileiro é laico, mas seu povo é religioso, e isto precisa ser respeitado.

Quando digo que o povo é religioso é porque está disposto a fazer a Vontade de Deus e não somente dizer: Senhor, Senhor…, como às vezes se pretende, de maneira especial dentro da própria Igreja. Existem facções sociais, políticas e religiosas especializadas em fazer lavagem cerebral, deixando as pessoas sem convicções, mas com obsessões, e com a consciência invencivelmente errônea. Ficam semelhantes aos grãos de pipoca que levados ao fogo não estouram, e com mais fogo, mais duros ficam. Tornam-se donas da “verdade”.

Estão até manipulando o texto do Papa, para justificar a sede do poder. (cf. http://www.releituras.com/rubemalves_pipoca.asp) É a Vontade de Deus que nos salva e não a nossa, e sobre isto precisamos sempre nos exortar mutuamente, como diz o Apóstolo São Paulo. Portanto, que nossa fé seja sempre vivificada pela mútua exortação. Pode ocorrer de nos esquecermos que somos todos peregrinos caminhando para a Casa do Pai, e quando lá chegarmos, poderemos ouvir de Jesus o seguinte: “Afastai-vos de mim, vós que praticastes a injustiça, a maldade” (Lc13,27). Creio que ninguém vai querer ouvir isto naquela hora. Seu passaporte está em dia? Pode ter certeza de que a eternidade existe…

Assim, busquemos alimentar nossa fé, sem esquecer, como diz o Papa, que ela deve implicar na política. A fé sem obras é morta, diz a Escritura Sagrada. E uma das obras que deve provir da fé, é o nosso voto consciente em pessoas que vão governar para o bem comum, respeitando a vida em todas as suas etapas e dimensões.

No mesmo dia em que li o discurso do Papa, assistindo ao telejornal, à noite, escutei o pronunciamento da candidata e do candidato à presidência do Brasil a respeito do discurso do Papa. Ambos concordaram com as Palavras do Papa, dizendo que é missão dele exortar para uma vida coerente com os valores da fé e da moral, e que as palavras do Papa valem para todas as pessoas de fé, no mundo inteiro.

O Papa falou, também, que o voto deve estar a serviço da construção de uma sociedade justa e fraterna, defensora vida.

Como Bispo da Igreja Católica, e como cidadão brasileiro, fico feliz por saber que nosso Presidente tem defendido a vida, e sempre se pronunciou contra o aborto. Nesses últimos anos o Brasil tem crescido e melhorado em todos os aspectos, de maneira especial no respeito à vida e a valorização da dignidade humana. Esta é a Vontade de Deus! E as pessoas, em plena posse de suas faculdades mentais, vão reconhecer esta verdade.

Nosso país está em pleno desenvolvimento e assim queremos continuar e, depois de 500 anos, nosso povo quer eleger, pela primeira vez, uma mulher que tem compromisso com a vida e provou isso com sua própria vida. Como? Ela não fugiu para o exterior durante a ditadura, mas a enfrentou com garra e, por isso, foi presa e torturada.

Ela queria um país livre, e que todas as pessoas pudessem viver sem medo de serem felizes, vencendo a mentira e o ódio com a verdade e o amor, servindo aos ideais de liberdade e justiça, com sua própria vida. Disse Jesus: “Ninguém tem maior amor do aquele que dá a própria vida pelos irmãos” (Jo 15,13). Obrigado Santo Padre por suas sábias palavras! A Dilma é a resposta para as nossas inquietações a respeito da vida.

Quem sofreu nos porões da ditadura, não mata. Mas teve gente que matou a vida no seu ventre para fugir da ditadura, e portanto não deveria se comportar como os fariseus, que jogam pedras, sabendo-se pecadores. E Jesus disse: “Quem quiser salvar a sua vida vai perdê-la, e quem entregar sua vida por causa de mim, vai salvá-la”(Mt 10,39)

Vamos fazer o nosso Brasil avançar ainda mais, com Dilma, que já provou ser coerente, competente e comprometida com a VIDA. O dragão devastador não pode voltar ao poder.

Deus abençoe os leitores e eleitores, governos e governados. Saúde e paz a todos (as)!

Tudo o que você me desejar, eu lhe desejo cem vezes mais. Obrigado.

Caçador, 28 de outubro de 2010

Dom Luiz Carlos Eccel

Bispo Diocesano de Caçador – Santa Catarina

Onde você estava em 1964?

Reproduzo artigo de Emir Sader, postado no site Carta Maiuor

Há momentos na história de cada país que são definidores de quem é quem, da natureza de cada partido, de cada força social, de cada indivíduo. Há governos em relação aos quais se pode divergir pela esquerda ou pela direita, conforme o ponto de vista de cada um. Acontecia isso com governos como os do Getúlio, do JK, do Jango, criticado tanto pela direita – com enfoques liberais ou diretamente fascistas – e pela esquerda – por setores marxistas.

Mas há governos que, pela clareza de sua ação, não permitem essas nuances, que definem os rumos da história futura de um país. Foi assim com o nazismo na Alemanha, com o fascismo na Itália, com o franquismo na Espanha, com o salazarismo em Portugal, com a ocupação e o governo de Vichy na França, entre outros exemplos.

No caso do Brasil e de outros países latinoamericanos, esse momento foi o golpe militar e a instauração da ditadura militar em 1964. Diante da mobilização golpista dos anos prévios a 1964, da instauração da ditadura e da colocação em prática das suas políticas, não havia ambigüidade possível, nem a favor, nem contra. Tanto assim que praticamente todas as entidades empresariais, todos os partidos da direita, praticamente todos os órgãos da mídia – com exceção da Última Hora – pregavam o golpe, participando e promovendo o clima de desestabilização que levou à intervenção brutal das FAA, que rompeu com a democracia – em nome da defesa da democracia, como sempre -, apoiaram a instauração do regime de terror no Brasil.

Como se pode rever pelas reproduções das primeiras páginas dos jornais que circulam pela internet, todos – FSP, Estadão, O Globo, entre os que existiam naquela época e sobrevivem – se somaram à onda ditatorial, fizeram campanha com a Tradição, Família e Propriedade, com o Ibad, com a Embaixada dos EUA, com os setores mais direitistas do país. Apoiaram o golpe e as medidas repressivas brutais e aquelas que caracterizariam, no plano econômico e social à ditadura: intervenção em todos os sindicatos, arrocho salarial, prisão e condenação das lidreanças populares.

Instauraram a lua-de-mel que o grande empresariado nacional e estrangeiro queria: expansão da acumulação de capital centrada no consumo de luxo e na exportação, com arrocho salarial, propiciando os maiores lucros que tiveram os capitalistas no Brasil. A economia e a sociedade brasileira ganharam um rumo nitidamente conservador, elitistas, de exclusão social, de criminalização dos conflitos e das reivindicações democráticas, no marco da Doutrina de Segurança Nacional.

As famílias Frias, Mesquita, Marinho, entre outras, participaram ativamente, no momento mais determinante da história brasileira, do lado da ditadura e não na defesa da democracia. Acobertaram a repressão, seja publicando as versões mentirosas da ditadura sobre a prisão, a tortura, o assassinato dos opositores, como também – no caso da FSP -, emprestando carros da empresa para acobertar ações criminais os órgãos repressivos da ditadura. (O livro de Beatriz Kushnir, “Os cães de guarda”, da Editora Boitempo, relata com detalhes esse episódio e outros do papel da mídia em conivência e apoio à ditadura militar.)

No momento mais importante da história brasileira, a mídia monopolista esteve do lado da ditadura, contra a democracia. Querem agora usar processos feitos pela ditadura militar como se provassem algo contra os que lutaram contra ela e foram presos e torturados. É como se se usassem dados do nazismo sobre judeus, comunistas e ciganos vitimas dos campos de concentração. É como se se usassem dados do fascismo italiano a respeito dos membros da resistência italiana. É como se se usassem dados do fraquismo sobre o comportamento dos republicanos, como Garcia Lorca, presos e seviciados pelo regime. É como se se usasse os processos do governo de Vichy como testemunha contra os resistentes franceses.

Aqueles que participaram do golpe e da ditadura foram agraciados com a anistia feita pela ditadura, para limpar suas responsabilidades. Assim não houve processo contra o empréstimo de viaturas pela FSP à Operação Bandeirantes. O silêncio da família Frias diante da acusações públicas, apoiadas em provas irrefutáveis, é uma confissão de culpa.

Estamos próximos de termos uma presidente mulher, que participou da resistência à ditadura e que foi torturada pelos agentes do regime de terror instaurado no país, com o apoio da mídia monopolista. Parece-lhes insuportável moralmente e de fato o é. A figura de Dilma é para eles uma acusação permanente, pela dignidade que ela representa, pela sua trajetória, pelos valores que ela representa.

Onde estava cada um em 1964? Essa a questão chave para definir quem é quem na democracia brasileira.

Debate na TV Globo: Dilma comemora

Reproduzo artigo de André Cintra, publicado no sítio Vermelho:

A TV Globo bem que tentou dar uma forcinha para o tucano José Serra, no último debate entre os presidenciáveis, na noite desta quarta-feira (29). Mas quem fez a festa nos estúdios da emissora no Rio de Janeiro, logo após o encontro, foram os apoiadores de Dilma Rousseff – e com razão. Ao superar um dos mais temidos obstáculos da campanha, a candidata da coligação Para o Brasil Seguir Mudando passou a ter chances ainda mais concretas de se tornar a sucessora do presidente Lula.

Numa atração com 25 pontos de média no Ibope (cada ponto equivale a 55 mil televisores na Grande São Paulo), Dilma soube explorar o formato do debate melhor do que Serra. Pela primeira vez nestas eleições, não houve perguntas de candidato para candidato. As 12 questões foram formuladas e lidas por eleitores supostamente indecisos, que não tinham o direito de comentar as respostas. Sem o confronto direto, o candidato que está à frente nas pesquisas – no caso, Dilma – larga em vantagem.

Mas a petista não se contentou com esse trunfo. Seu principal acerto foi captar a singularidade das perguntas, demonstrando estar interessada não só em expor seu plano geral de governo – mas também em dar perspectivas até para questões mais pontuais. De longe, foi Dilma quem conseguiu estabelecer um diálogo mais franco e natural com o grupo de eleitores indecisos. Ao mesmo tempo, Dilma frisava melhor as diferenças de concepções e projetos das duas candidaturas.

Serra, ao contrário, causou ruído já na hora de agradecer às perguntas que lhe foram feitas. Pesquisas qualitativas realizadas durante o debate apontaram particular rejeição à maneira como Serra, com sorriso forçado e de forma pouco convincente, atribuía “grande importância” a todas as questões.

Sem contar suas frases de efeito, ocas a não mais poder: “Investir no serviço público é melhorar a autoestima do país”; “A batalha da saúde tem que ser para que hoje seja melhor do que ontem e amanhã melhor que hoje”; “A primeira condição para enfrentar o problema da segurança é admitir que o problema é sério”; “Saúde e segurança são a vida, mas a educação é o futuro”.

Funcionalismo

Logo na primeira pergunta do debate – sobre propostas para os servidores públicos –, as diferenças entre Serra e Dilma se impuseram. Serra, um notório inimigo do funcionalismo, defendeu propostas genéricas – “a carreira e o concurso, a valorização dos profissionais”, a “despartidarização” das agências reguladoras.

Mais tarde, o tucano teve a oportunidade de voltar ao assunto, quando uma eleitora baiana contou estar penalizada pela filha, que é professora sem ser valorizada. Serra disse defender um pacto nacional pela educação (abstração pura) e o combate ao analfabetismo. E a valorização do professor – onde é que fica?

Dilma, em suas réplicas, lembrou que o governo Lula já iniciou uma política de valorização do funcionalismo, com destaque para a aprovação do piso salarial nacional dos professores. Para se diferenciar da política à “base de cassetetes” praticada pelo PSDB em São Paulo, a candidata mostrou que não há saída para o funcionalismo se o governo não ouvir os principais interessados. “Um governante não pode estabelecer uma relação de atrito quando o professor pede diálogo.”

Serra acusou o governo Lula de “duplicar impostos sobre saneamento”, mas patinou ao fugir do compromisso de desonerar a folha de pagamento em benefício dos pequenos empreendedores. “Temos de ser responsáveis, não é moleza”, argumentou. Dilma não perdeu a oportunidade e defendeu abertamente “uma reforma tributária que diminua a oneração”.

“Percebemos que, quando diminui a tributação, não diminui a arrecadação”, afirmou, pondo em destaque as inúmeras reduções do IPI pelo governo Lula durante a crise de 2008-09. “Eu concordo com a desoneração. A pessoa contrata mais, e mais pessoas consomem. É um círculo virtuoso.”

Uma eleitora relatou o trauma de ter sido assaltada a mão armada. Serra voltou a bater na tecla da criação de um Ministério da Segurança Pública e no combate ao tráfico de drogas. Dilma, mais sensível, disse que boa parte da criminalidade exige uma ação específica. Comprometeu-se, assim, a levar polícias comunitárias aos bairros populares, com ação concentrada e fiscalização.

Social

Um eleitor de São Paulo cobrou iniciativas para que os programas sociais, como o Bolsa Família, não sejam “vitalícios. Outro, do Paraná, reclama que os brasileiros pagam muito impostos, sem receber nada em troca. Dilma interveio a favor dos programas sociais – uma questão que, segundo ela, será “central” em seu governo.

Agregou que o ProUni, com seus mais de 700 mil beneficiados de renda média e baixa, é um exemplo de como o governo Lula tenta incluir quem paga imposto e foi historicamente desprezado. Serra, mais uma vez, tentou fazer da pergunta um trampolim para ele falar de seu programa para outras áreas – “Política social é também saúde e segurança”, tentou justificar-se.

Quando o eleitor de Pernambuco reclamou que seis irmãos seus estão na informalidade e não conseguem pagar a Previdência, Serra falou em “empuxo político” e incentivo ao empreendedorismo. “Se a contribuição for pesada, ninguém vai pagar”, rebateu Dilma, em defesa da formalização máxima do mercado de trabalho e, somado a isso, de contribuições variadas à Previdência de acordo com a faixa de renda.

Nas considerações finais, uma inesperada manipulação: a Globo usou câmeras panorâmicas para expor Dilma, enquanto Serra mereceu uma transmissão em close. As reações de protesto no estúdio foram automáticas. No conteúdo, Dilma disse representar a continuidade de “um projeto que fez com que o Brasil despertasse para a consciência de sua grandeza”.

Saber enfrentar Serra e a Globo, a dois dias das eleições, também mostra como Dilma percebeu sua própria grandeza e está à altura de governar o Brasil. A vitória ficou mais próxima. Que venha 31 de outubro!