Por Marcelo Semer, no blog Sem Juízo:
Homofobia, xenofobia, sexismo. Ojeriza ao pobre e um renascido antissemitismo.
Houve de tudo um pouco no cardápio tétrico dessa última semana de nenhum orgulho e muito preconceito.
Onde foi parar, afinal, aquele Brasil, um país de todos?
O deputado Jair Bolsonaro acusa seus colegas de quererem transformar crianças em gays - como se uma campanha contra a intolerância pudesse controlar orientações sexuais.
Pelo sim, pelo não, a bancada religiosa impede a aprovação da lei que criminaliza a homofobia, para que os portadores das palavras de fé e esperança possam gozar da liberdade de disseminar preconceitos.
Parece piada, mas não é.
E o que é piada nem parece.
Rafinha Bastos tenta em vão fazer rir ao dizer que "toda mulher que se diz vítima de estupro é feia". O estuprador, então, não merece pena, mas um abraço. Ria-se com um barulho desses.
Rafinha, o homem mais influente do Twitter, segundo o nada desprezível New York Times, não está sozinho nesse novo humor bolsonaro, que busca agredir e chocar, custe o que custar.
Seu colega Danilo Gentili tuíta a um milhão e meio de seguidores grotesca piada com o Holocausto, para justificar uma imaginária aversão de judeus a vagões, sem compreender o que havia de preconceito de classe no repúdio ao Metrô em Higienópolis.
Moradores do bairro fizeram um abaixo-assinado contra a estação Angélica, e uma psicóloga descortinou em entrevista o principal motivo da rejeição: a chegada ao bairro de uma "gente diferenciada" que acompanha estações de Metrô - drogados, mendigos e, enfim, faltou acrescentar: pobres de todo o gênero.
A reação positiva e bem-humorada ao preconceito se deu com um churrasco-manifesto diante do luxuoso shopping Higienópolis, sábado último, em uma mobilização espontânea e sem líderes, provocada a partir de um convite que se alastrou no Facebook.
Mas nem o próprio Facebook escapou incólume da semana trágica.
O site de relacionamentos censurou a foto de perfil de uma mulher amamentando.
A imagem era justamente o ponto de partida para a campanha contra a proibição de amamentar em público, tomada pelo instituto Itaú Cultural. A campanha acabou resultado em um "mamaço" diante da própria instituição.
Curioso como o sexismo convive bem com a exposição erótica, mas não com o ato de saúde e carinho que é mais pura expressão do amor materno. Corpo nu da mulher só como objeto, jamais como sujeito.
Infelizmente, porém, nem todos os atos de preconceito ganharam a mesma indignação na rede social.
O jornal O Estado de S. Paulo publicou reportagem mostrando que com o crescimento de roubos no bairro do Morumbi, a Polícia Militar decidiu isolar a favela de Paraisópolis com uma operação chamada Saturação.
Os detalhes do tratamento daquela "gente diferenciada" são simplesmente impactantes: bloqueios da entrada da favela das 7h às 23h, três incursões diárias por suas vielas e ladeiras e soldados armados com potentes metralhadoras revistando as pessoas que entram ou saem da comunidade.
Os desabafos dos moradores não repercutiram no Facebook, mas merecem destaque: "Isso só serve para marcar todos como bandidos"; "Fui levar meu filho à escola com um monte de soldados e cavalos cercando minha rua".
Já imaginou se isso acontecesse em Higienópolis?
Se todas as pessoas da cidade são revistadas quando saem de suas casas, vivemos em um Estado Policial. Mas se apenas os favelados o são, vivemos um Estado ainda pior. Naquele que discrimina a suspeita, e em decorrência da maior vigilância, criminaliza a pobreza.
Alguém duvida que uma Operação Saturação, próxima a badaladas casas noturnas, não resultaria também em inúmeros crimes vinculados a entorpecentes?
Ou uma revista casa a casa em ruas dos Jardins não levaria à apreensão de armas ilegais, como muitas vezes se faz nas comunidades com mandados de busca coletivos?
A presunção de culpa não está distribuída igualmente pela sociedade.
E não está, porque, afinal de contas, a presunção de culpa é nada mais nada menos do que a mais fiel tradução do preconceito.
Esse blog se destina a servir como um instrumento de comunicação para me fazer ouvir no mundo real através do mundo virtual. Aqui escreverei e reproduzirei artigos sobre todos os temas que me despertem o desejo e inquietem o espírito.
sexta-feira, 20 de maio de 2011
Mídia democrática e limites da internet
Por Jaime Sautchuk, no sítio Vermelho:
A Internet é apontada, hoje, como a redenção, o alvorecer da era da verdadeira democratização da mídia, os meios de comunicação no mundo. Está mais do que claro, porém, que essa é mais uma ilusão, de tantas que a história nos guardou.
No varejo, tudo bem, todo mundo pode acessar e trocar lá suas mensagens. Fazer páginas, blogs, redes e tudo o quanto quiser para falar de política ou sexo é fácil e até banal. É como se fosse uma válvula de escape para as angústias dos viventes. No atacado, porém, a história é muito diferente. O buraco é mais embaixo.
Como no passado, com outras mídias, esta também está sob controle das forças que dominam o mundo. Em temas de importância estratégica para o centro do mundo, em especial os Estados Unidos, as redes são monitoradas e conduzidas. E em momentos de crise, há a possibilidade de controle total. E aí, babau democracia.
Muitos exemplos têm sido mostrados até na grande mídia, meio sem querer, mas que deixam claras as tendências do sistema internético. Um deles é o caso do Egito, onde foram bloqueadas as linhas de celular e o acesso via computador, pelos técnicos do regime então em vigor.
No entanto, os gerentes das redes mundiais intervierem e as desbloquearam. O motivo pode ser qualquer um. O que nos chama atenção, contudo, é a possibilidade de isso ser feito. Tanto o bloquear quanto o desbloquear, como era alardeado, seriam coisas impossíveis. Para usar a linguagem dessa mídia, ksksksks...
Por outro lado, há incontáveis páginas alocadas na rede que não são passíveis de acesso. É o caso, por exemplo, da página das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARCs), que existe, mas que no Brasil ou nos Estados Unidos, ninguém consegue acessar, por motivos “técnicos”.
Isso nos remonta à própria história dos modernos meios de comunicação. Desde a sua primeira etapa, que foi a da luta pela liberdade de imprensa. Esta era pelo direito de se possuir uma máquina impressora, até então estatais, como forma de, a partir dela, exercer outra liberdade, a de expressão.
Transferiu-se apenas o controle das máquinas das mãos do estado para as mãos dos setores privados que controlam inclusive o estado. Ou seja, os meios seguirem nas mãos das elites. E estas sempre estiveram a favor do colonialismo, da dominação do mundo, do subjugo de povos, da exploração de recursos naturais e assim por diante.
Veio então o rádio, no limiar do século 20, e com ele a mesma esperança de democratização do acesso e liberdade de expressão. Doce ilusão. Nas frequências do rádio voaram as ideologias das forças colonial-imperialistas, com enorme importância especialmente no período da segunda Grande Guerra e, depois, na chamada guerra fria.
A influência de emissoras como a BBC de Londres, na Grã-Bretanha, e da Voz da América, nos EUA, para citar dois exemplos, foi brutal no período pós-guerra. É claro que, de outra lado, havia a rádio de Moscou, também com potentes transmissores em Ondas Curtas, e, já na década de 60, a rádio de Havana, em Cuba, que entrava rachando em toda a América Latina, especialmente na região amazônica.
Mas, também aí era possível ter controle. A BBC e a Voz praticaram incontáveis vezes o recurso do jamming, que significa “engarrafamento” e, no caso, expressa o ato de entrar com uma onda magnética sobre outra, na mesma frequência, e assim picotar a transmissão indesejada.
Nós temos um grande exemplo disso aqui no Brasil. A Rádio Nacional da Amazônia, estatal, foi criada durante a ditadura militar para embananar as ondas da Rádio de Havana. O objetivo foi plenamente atingido. Não havia essa preocupação, por exemplo, com a BBC da Jamaica, que era colônia britânica, e isso explica a influência da música caribenha na região norte do País, especialmente no Maranhão.
O fato é que, também no caso do rádio, a mídia ficou nas mãos de estados e de grandes grupos econômicos com a mesma coloração ideológica. E é esta a situação que até hoje vigora.
Com o advento da TV, de novo se esperava alguma forma de abertura. Mas, a TV incorporou, no caso dos EUA, a prática que já vinha em curso no cinema desde antes da guerra, com o conhecido uso de Hollywood como base de difusão da ideologia ianque.
Mesmo no Brasil, onde a matriz da TV foi o rádio e não o cinema, ocorreu o mesmo processo, já que ainda hoje boa parte da programação televisiva daqui é de enlatados, termo que vem das latas redondas que traziam os filmes do cinema e, depois, os programas de TV.
O processo que se vê agora segue o mesmo caminho. É certo que a Internet abre chances que eram inexistentes e amplia a possibilidade de acesso. Não há dúvida sobre isso. A questão, no entanto, é que os limites já estão bastante bem desenhados.
A Internet é apontada, hoje, como a redenção, o alvorecer da era da verdadeira democratização da mídia, os meios de comunicação no mundo. Está mais do que claro, porém, que essa é mais uma ilusão, de tantas que a história nos guardou.
No varejo, tudo bem, todo mundo pode acessar e trocar lá suas mensagens. Fazer páginas, blogs, redes e tudo o quanto quiser para falar de política ou sexo é fácil e até banal. É como se fosse uma válvula de escape para as angústias dos viventes. No atacado, porém, a história é muito diferente. O buraco é mais embaixo.
Como no passado, com outras mídias, esta também está sob controle das forças que dominam o mundo. Em temas de importância estratégica para o centro do mundo, em especial os Estados Unidos, as redes são monitoradas e conduzidas. E em momentos de crise, há a possibilidade de controle total. E aí, babau democracia.
Muitos exemplos têm sido mostrados até na grande mídia, meio sem querer, mas que deixam claras as tendências do sistema internético. Um deles é o caso do Egito, onde foram bloqueadas as linhas de celular e o acesso via computador, pelos técnicos do regime então em vigor.
No entanto, os gerentes das redes mundiais intervierem e as desbloquearam. O motivo pode ser qualquer um. O que nos chama atenção, contudo, é a possibilidade de isso ser feito. Tanto o bloquear quanto o desbloquear, como era alardeado, seriam coisas impossíveis. Para usar a linguagem dessa mídia, ksksksks...
Por outro lado, há incontáveis páginas alocadas na rede que não são passíveis de acesso. É o caso, por exemplo, da página das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARCs), que existe, mas que no Brasil ou nos Estados Unidos, ninguém consegue acessar, por motivos “técnicos”.
Isso nos remonta à própria história dos modernos meios de comunicação. Desde a sua primeira etapa, que foi a da luta pela liberdade de imprensa. Esta era pelo direito de se possuir uma máquina impressora, até então estatais, como forma de, a partir dela, exercer outra liberdade, a de expressão.
Transferiu-se apenas o controle das máquinas das mãos do estado para as mãos dos setores privados que controlam inclusive o estado. Ou seja, os meios seguirem nas mãos das elites. E estas sempre estiveram a favor do colonialismo, da dominação do mundo, do subjugo de povos, da exploração de recursos naturais e assim por diante.
Veio então o rádio, no limiar do século 20, e com ele a mesma esperança de democratização do acesso e liberdade de expressão. Doce ilusão. Nas frequências do rádio voaram as ideologias das forças colonial-imperialistas, com enorme importância especialmente no período da segunda Grande Guerra e, depois, na chamada guerra fria.
A influência de emissoras como a BBC de Londres, na Grã-Bretanha, e da Voz da América, nos EUA, para citar dois exemplos, foi brutal no período pós-guerra. É claro que, de outra lado, havia a rádio de Moscou, também com potentes transmissores em Ondas Curtas, e, já na década de 60, a rádio de Havana, em Cuba, que entrava rachando em toda a América Latina, especialmente na região amazônica.
Mas, também aí era possível ter controle. A BBC e a Voz praticaram incontáveis vezes o recurso do jamming, que significa “engarrafamento” e, no caso, expressa o ato de entrar com uma onda magnética sobre outra, na mesma frequência, e assim picotar a transmissão indesejada.
Nós temos um grande exemplo disso aqui no Brasil. A Rádio Nacional da Amazônia, estatal, foi criada durante a ditadura militar para embananar as ondas da Rádio de Havana. O objetivo foi plenamente atingido. Não havia essa preocupação, por exemplo, com a BBC da Jamaica, que era colônia britânica, e isso explica a influência da música caribenha na região norte do País, especialmente no Maranhão.
O fato é que, também no caso do rádio, a mídia ficou nas mãos de estados e de grandes grupos econômicos com a mesma coloração ideológica. E é esta a situação que até hoje vigora.
Com o advento da TV, de novo se esperava alguma forma de abertura. Mas, a TV incorporou, no caso dos EUA, a prática que já vinha em curso no cinema desde antes da guerra, com o conhecido uso de Hollywood como base de difusão da ideologia ianque.
Mesmo no Brasil, onde a matriz da TV foi o rádio e não o cinema, ocorreu o mesmo processo, já que ainda hoje boa parte da programação televisiva daqui é de enlatados, termo que vem das latas redondas que traziam os filmes do cinema e, depois, os programas de TV.
O processo que se vê agora segue o mesmo caminho. É certo que a Internet abre chances que eram inexistentes e amplia a possibilidade de acesso. Não há dúvida sobre isso. A questão, no entanto, é que os limites já estão bastante bem desenhados.
PIG lamenta oposição “meia-bomba”
Por Esmael Morais:
O Partido da Imprensa Golpista (PiG) decidiu tomar o lugar das legendas de oposição ao governo Dilma Rousseff. Os principais jornais criticaram nesta semana os dirigentes maiores do PSDB – Aécio Neves e José Serra -- porque eles não estariam cumprindo seu papel de algozes de Antonio Palocci, diante da denúncia envolvendo a evolução patrimonial do ministro-chefe da Casa Civil.
Se os partidos de oposição nada fazem para desestruturar o governo, a velha mídia faz. Portanto, resolveu sair a campo.
Não é a primeira vez que o PiG despiu-se do mando da conveniente imparcialidade. Nas eleições de 2010, diante da fraqueza de José Serra no enfrentamento da candidata de Lula, o Partido da Imprensa Golpista posicionou-se raivosa e preconceituosamente contra Dilma.
O episódio Palocci sinaliza que a trégua do PiG com o governo Dilma acabou (se é que ela existiu algum dia). O fato é pedagógico porque havia um sem-número de militantes governistas que acreditavam no refresco dado pela velha mídia à nova gestão. Os grupos econômico-midiáticos apostavam numa ruptura entre a presidenta e o ex-presidente visando fragmentar a esquerda.
A aliança inquebrantável entre Lula e Dilma levou o PiG ao ataque nesta semana, substituindo as principais lideranças dos partidos de oposição.
Serra e Aécio, como bons tucanos, decidiram ficar em cima do muro. Preferem acumular gordura para o embate mais adiante, em 2014, quando pretendem disputar com Dilma. Eles mostraram que têm tempo político diferente do das empresas de comunicação, embora operem juntos na maioria das vezes em interesses comuns.
Surra na Câmara
O PMDB foi peça-chave na derrubada do pedido de sessão para discutir a convocação do ministro Antonio Palocci. Nesta quarta, apenas 72 parlamentares votaram a favor e 266 votaram contra.
Rindo por dentro
Boa parte do PT não se envolveu no imbróglio do ministro-chefe da Casa Civil. Não defende, nem ataca. Ri por dentro e assiste de camarote ao bombardeio midiático-oposicionista. Trata-se de ajuste de contas no partido por vias heterodoxas.
Só no tapetão
Sem votos no Congresso para instalar CPI, a oposição tentará atingir o “coração” do governo Dilma – leia-se Palocci – apelando a medidas administrativas e judiciais.
Conspiração ianque
ONGs capitaneadas pela SOS Florestas Paraná (?) lançaram nesta quarta um movimento para brecar a votação do Código Florestal e substituir o relator da matéria, deputado Aldo Rebelo (PCdoB). O comunista já avisou que “daqui não saio, daqui ninguém me tira” porque seriam entidades a serviço de uma conspiração ianque.
Vai ou não vai?
O governo tentava um acordo com a oposição para votar o Código Florestal na noite desta quarta.
Marcha da Maconha-1
O juiz Davi Capelatto concedeu habeas-corpus preventivo para 17 pessoas que pretendem participar da Marcha da Maconha, no próximo sábado (28), em São Paulo. O magistrado citou o ex-presidente FHC como defensor público da maconha, sem nunca ter sofrido processo.
Marcha da Maconha-2
Por outro lado, o deputado delegado Francisquini (PSDB-PR) protocolou no Ministério Público Federal representação contra o Google por hospedar o site http://marchadamaconha.org. Por que o parlamentar tucano não faz uma representação contra FHC?
*****
A política como ela é:
A previsão de Requião
Na semana passada, o senador Roberto Requião (PMDB) recebeu em Brasília uma comitiva de prefeitos paranaenses que participavam da Marcha dos Prefeitos. Lá pelas tantas, um “atrevido” perguntou-lhe à queima-roupa:
- Requião, como está o Pessuti?
Sem titubear e para o espanto dos presentes, o senador foi lacônico:
- O Pessuti morre até o final deste ano.
Na mesa, os prefeitos revezaram-se entre gargalhadas e espanto com a sinistra previsão do senador.
O ex-governador Orlando Pessuti (PMDB) era vice de Requião. Os dois estão rompidos há um ano, depois de militarem juntos quase três décadas.
* Contatos com a coluna: http://colunadoesmael.com – E-mail: esmaelmorais@hotmail.com – Twitter: @esmaelmorais
O Partido da Imprensa Golpista (PiG) decidiu tomar o lugar das legendas de oposição ao governo Dilma Rousseff. Os principais jornais criticaram nesta semana os dirigentes maiores do PSDB – Aécio Neves e José Serra -- porque eles não estariam cumprindo seu papel de algozes de Antonio Palocci, diante da denúncia envolvendo a evolução patrimonial do ministro-chefe da Casa Civil.
Se os partidos de oposição nada fazem para desestruturar o governo, a velha mídia faz. Portanto, resolveu sair a campo.
Não é a primeira vez que o PiG despiu-se do mando da conveniente imparcialidade. Nas eleições de 2010, diante da fraqueza de José Serra no enfrentamento da candidata de Lula, o Partido da Imprensa Golpista posicionou-se raivosa e preconceituosamente contra Dilma.
O episódio Palocci sinaliza que a trégua do PiG com o governo Dilma acabou (se é que ela existiu algum dia). O fato é pedagógico porque havia um sem-número de militantes governistas que acreditavam no refresco dado pela velha mídia à nova gestão. Os grupos econômico-midiáticos apostavam numa ruptura entre a presidenta e o ex-presidente visando fragmentar a esquerda.
A aliança inquebrantável entre Lula e Dilma levou o PiG ao ataque nesta semana, substituindo as principais lideranças dos partidos de oposição.
Serra e Aécio, como bons tucanos, decidiram ficar em cima do muro. Preferem acumular gordura para o embate mais adiante, em 2014, quando pretendem disputar com Dilma. Eles mostraram que têm tempo político diferente do das empresas de comunicação, embora operem juntos na maioria das vezes em interesses comuns.
Surra na Câmara
O PMDB foi peça-chave na derrubada do pedido de sessão para discutir a convocação do ministro Antonio Palocci. Nesta quarta, apenas 72 parlamentares votaram a favor e 266 votaram contra.
Rindo por dentro
Boa parte do PT não se envolveu no imbróglio do ministro-chefe da Casa Civil. Não defende, nem ataca. Ri por dentro e assiste de camarote ao bombardeio midiático-oposicionista. Trata-se de ajuste de contas no partido por vias heterodoxas.
Só no tapetão
Sem votos no Congresso para instalar CPI, a oposição tentará atingir o “coração” do governo Dilma – leia-se Palocci – apelando a medidas administrativas e judiciais.
Conspiração ianque
ONGs capitaneadas pela SOS Florestas Paraná (?) lançaram nesta quarta um movimento para brecar a votação do Código Florestal e substituir o relator da matéria, deputado Aldo Rebelo (PCdoB). O comunista já avisou que “daqui não saio, daqui ninguém me tira” porque seriam entidades a serviço de uma conspiração ianque.
Vai ou não vai?
O governo tentava um acordo com a oposição para votar o Código Florestal na noite desta quarta.
Marcha da Maconha-1
O juiz Davi Capelatto concedeu habeas-corpus preventivo para 17 pessoas que pretendem participar da Marcha da Maconha, no próximo sábado (28), em São Paulo. O magistrado citou o ex-presidente FHC como defensor público da maconha, sem nunca ter sofrido processo.
Marcha da Maconha-2
Por outro lado, o deputado delegado Francisquini (PSDB-PR) protocolou no Ministério Público Federal representação contra o Google por hospedar o site http://marchadamaconha.org. Por que o parlamentar tucano não faz uma representação contra FHC?
*****
A política como ela é:
A previsão de Requião
Na semana passada, o senador Roberto Requião (PMDB) recebeu em Brasília uma comitiva de prefeitos paranaenses que participavam da Marcha dos Prefeitos. Lá pelas tantas, um “atrevido” perguntou-lhe à queima-roupa:
- Requião, como está o Pessuti?
Sem titubear e para o espanto dos presentes, o senador foi lacônico:
- O Pessuti morre até o final deste ano.
Na mesa, os prefeitos revezaram-se entre gargalhadas e espanto com a sinistra previsão do senador.
O ex-governador Orlando Pessuti (PMDB) era vice de Requião. Os dois estão rompidos há um ano, depois de militarem juntos quase três décadas.
* Contatos com a coluna: http://colunadoesmael.com – E-mail: esmaelmorais@hotmail.com – Twitter: @esmaelmorais
quinta-feira, 19 de maio de 2011
A inocência deslumbrada de Palocci
Por Eduardo Guimarães, no Blog da cidadania
As “denúncias” contra o ministro-chefe da Casa Civil do governo da presidenta Dilma Rousseff suscitam uma avalanche de reflexões, as quais, na opinião deste blog, para quem não está fazendo jogo político são as mais importantes, apesar de que não estão sendo discutidas.
Em primeiro lugar, a artilharia contra Palocci integra o que poucos destacaram apesar de estar ficando cada vez mais claro: acabou-se a “lua-de-mel” entre este governo e a imprensa golpista. Foi bom (?) enquanto durou, mas já era.
Dilma bem que tentou. Foi simpática, não fez provocações, chegando ao nível de ter ido prestigiar o jornal que já põe as garras de fora e se mostra disposto a infernizar o novo governo, ainda que, por enquanto, poupando a sua titular diretamente, o que pode significar uma mudança sutil de estratégia, de atacar o governo sem agredir pessoalmente o titular como ocorria na época de Lula.
Mas por que, isso? Será que Dilma está contrariando tanto a mídia conservadora e aqueles que ela representa? Está nada. Apenas não está cortejando essas forças, como queriam.
Após o episódio da festa de 90 Anos da Folha, tudo voltou ao normal. Dilma apenas tentou ser gentil e desarmar espíritos, agora se vê.
Todavia, a direita entendeu como rendição. É sério: entendeu que os vencedores se renderam só para não terem o desgaste de lutar. Aqui já se dizia, porém, que, se Dilma os contrariasse – ou quando os contrariasse –, qualquer esforço de distensão iria por água abaixo. E foi.
Vamos entender por que a onda com inflação, Copa do Mundo, livros didáticos e, sobretudo, contra o “homem do mercado”, Antonio Palocci.
Este, também não entendeu o jogo. Acha que basta não contrariar interesses ou contrariá-los o mínimo possível. Não basta. Tem que favorecer a esses interesses e fazer oferendas no altar midiático.
É claro que há interesses que a direita midiática não quer ver contrariados. Essa história de acabar com a miséria no Brasil, por exemplo, vai custar mui caro. Mas se pagar bem, que mal que tem?
Ou seja: a mídia quer contratos, quer demonstrações de respeito, quer poder. Se o governo não oferece, danou-se.
Vejam o caso de Palocci. É claro que ele enriqueceu após deixar o Ministério da Fazenda na esteira da grande farsa que foi o caso do caseiro Francenildo, subornado pela direita midiática para acusar e derrubar um dos principais ministros do governo Lula.
Querem me informar, então, qual foi o membro de equipe econômica que não ganhou rios de dinheiro após a passagem pela área econômica de um governo?
Por que a imprensa nunca se interessou pela evolução patrimonial de um professor universitário como Persio Arida, que, depois da passagem pela vida pública, tornou-se banqueiro? Porque todos sabem que passagem pela área econômica do governo, ainda mais como ministro da Fazenda, dá muito dinheiro.
Ao sair do governo, o então ministro da economia Antonio Palocci levou consigo informações privilegiadas assim como levam todos os que atuam na área econômica governamental. Mas a mídia só quer saber o que Palocci fez com tais informações. Os outros “não interessam”.
Há um período de “quarentena” que membros da área econômica do governo têm que cumprir após deixarem o cargo, mas é ridiculamente baixo. Seis meses. Seis míseros meses e o sujeito que dirige a economia do país, e que carrega todas as informações que carrega, pode cair nos braços do “mercado”.
É óbvio que todos lucram com isso e, se isso é imoral, é para todos e não só para Palocci. Fica óbvio, então, que a questão em relação a ele é política e não de interesse público.
Agora, não vamos deixar passar batida a conduta, não de Palocci, mas da classe política. Por que alguém que deve primar pela conduta sóbria como um ex-ministro da economia e que, agora, ocupa o cargo de ministro dos ministérios compra um apartamento de seis milhões de reais?
A resposta é deslumbramento. Esse é um mal que aflige de tucanos a petistas. Atinge a toda classe política. O poder deslumbra. A autoridade deslumbra. Tudo isso afasta o político da sociedade, estigmatiza-o e causa danos irreparáveis à confiança na democracia.
As “denúncias” contra o ministro-chefe da Casa Civil do governo da presidenta Dilma Rousseff suscitam uma avalanche de reflexões, as quais, na opinião deste blog, para quem não está fazendo jogo político são as mais importantes, apesar de que não estão sendo discutidas.
Em primeiro lugar, a artilharia contra Palocci integra o que poucos destacaram apesar de estar ficando cada vez mais claro: acabou-se a “lua-de-mel” entre este governo e a imprensa golpista. Foi bom (?) enquanto durou, mas já era.
Dilma bem que tentou. Foi simpática, não fez provocações, chegando ao nível de ter ido prestigiar o jornal que já põe as garras de fora e se mostra disposto a infernizar o novo governo, ainda que, por enquanto, poupando a sua titular diretamente, o que pode significar uma mudança sutil de estratégia, de atacar o governo sem agredir pessoalmente o titular como ocorria na época de Lula.
Mas por que, isso? Será que Dilma está contrariando tanto a mídia conservadora e aqueles que ela representa? Está nada. Apenas não está cortejando essas forças, como queriam.
Após o episódio da festa de 90 Anos da Folha, tudo voltou ao normal. Dilma apenas tentou ser gentil e desarmar espíritos, agora se vê.
Todavia, a direita entendeu como rendição. É sério: entendeu que os vencedores se renderam só para não terem o desgaste de lutar. Aqui já se dizia, porém, que, se Dilma os contrariasse – ou quando os contrariasse –, qualquer esforço de distensão iria por água abaixo. E foi.
Vamos entender por que a onda com inflação, Copa do Mundo, livros didáticos e, sobretudo, contra o “homem do mercado”, Antonio Palocci.
Este, também não entendeu o jogo. Acha que basta não contrariar interesses ou contrariá-los o mínimo possível. Não basta. Tem que favorecer a esses interesses e fazer oferendas no altar midiático.
É claro que há interesses que a direita midiática não quer ver contrariados. Essa história de acabar com a miséria no Brasil, por exemplo, vai custar mui caro. Mas se pagar bem, que mal que tem?
Ou seja: a mídia quer contratos, quer demonstrações de respeito, quer poder. Se o governo não oferece, danou-se.
Vejam o caso de Palocci. É claro que ele enriqueceu após deixar o Ministério da Fazenda na esteira da grande farsa que foi o caso do caseiro Francenildo, subornado pela direita midiática para acusar e derrubar um dos principais ministros do governo Lula.
Querem me informar, então, qual foi o membro de equipe econômica que não ganhou rios de dinheiro após a passagem pela área econômica de um governo?
Por que a imprensa nunca se interessou pela evolução patrimonial de um professor universitário como Persio Arida, que, depois da passagem pela vida pública, tornou-se banqueiro? Porque todos sabem que passagem pela área econômica do governo, ainda mais como ministro da Fazenda, dá muito dinheiro.
Ao sair do governo, o então ministro da economia Antonio Palocci levou consigo informações privilegiadas assim como levam todos os que atuam na área econômica governamental. Mas a mídia só quer saber o que Palocci fez com tais informações. Os outros “não interessam”.
Há um período de “quarentena” que membros da área econômica do governo têm que cumprir após deixarem o cargo, mas é ridiculamente baixo. Seis meses. Seis míseros meses e o sujeito que dirige a economia do país, e que carrega todas as informações que carrega, pode cair nos braços do “mercado”.
É óbvio que todos lucram com isso e, se isso é imoral, é para todos e não só para Palocci. Fica óbvio, então, que a questão em relação a ele é política e não de interesse público.
Agora, não vamos deixar passar batida a conduta, não de Palocci, mas da classe política. Por que alguém que deve primar pela conduta sóbria como um ex-ministro da economia e que, agora, ocupa o cargo de ministro dos ministérios compra um apartamento de seis milhões de reais?
A resposta é deslumbramento. Esse é um mal que aflige de tucanos a petistas. Atinge a toda classe política. O poder deslumbra. A autoridade deslumbra. Tudo isso afasta o político da sociedade, estigmatiza-o e causa danos irreparáveis à confiança na democracia.
A Síria e o imperialismo dos EUA
Por Sara Flounders, no sítio português Resistir:
Quando o imperialismo dos EUA se empenha num ataque a qualquer governo ou movimento, os movimentos políticos dos trabalhadores e dos progressistas para uma transformação precisam forçosamente de reunir o maior número de informações disponíveis e assumir uma posição.
É uma cobardia manter-se neutro e é uma traição alinhar com o polvo imperialista, que procura dominar o mundo.
Isto é o ABC dos movimentos dos trabalhadores ao longo dos 150 anos de lutas com consciência de classe. É a própria base do marxismo. Reflecte-se nas canções sindicais que lançam o desafio "De que lado é que estás?" e por intermédio dos dirigentes sindicais que explicam vezes sem conta: "Uma ofensa feita a um é uma ofensa feita a todos".
O mundo árabe está a ser abalado por uma explosão social. O imperialismo americano e todos os antigos regimes da região a ele ligados estão a tentar desesperadamente gerir e conter esta revolta de massas, que ainda está em evolução, canalizando-a de modo a não ameaçar o domínio imperialista na região.
Os EUA e os seus colaboradores também estão a tentar dividir e corroer as duas alas de resistência – as forças islâmicas e as forças nacionalistas seculares – que, em conjunto, derrubaram as ditaduras apoiadas pelos EUA no Egipto e na Tunísia. Há neste momento um esforço concertado dos EUA para virar essas mesmas forças políticas contra dois regimes na região que se têm oposto ao domínio dos EUA no passado – a Líbia e a Siria.
Tanto a Líbia como a Síria têm os seus problemas de desenvolvimento, que são exacerbados pela crise geral do capitalismo global e por décadas de compromissos que lhes foram impostos quando tentavam sobreviver num ambiente hostil de ataques permanentes – políticos, por vezes militares, e que incluíam sanções económicas.
Os bombardeamentos dos EUA/NATO sobre a Líbia clarificaram a posição do imperialismo em relação a este país. Os exploradores transnacionais estão apostados em apoderar-se totalmente das mais ricas reservas de petróleo da África e eliminar os milhares de milhões de dólares com que a Líbia estava a contribuir para o desenvolvimento de países africanos muito mais pobres.
A Síria também é um alvo do imperialismo – por causa da sua heróica defesa da resistência palestina durante décadas e da sua recusa em reconhecer a ocupação sionista. Não podemos esquecer o apoio da Síria ao Hezbollah na sua luta para acabar com a ocupação israelense do Líbano e a sua aliança estratégica com o Irão.
Embora seja difícil compreender uma grande parte da situação interna da Síria, é importante assinalar que, nesta luta em curso, apareceram nítidas declarações de apoio ao governo sírio e contra as tentativas dos EUA de desestabilização vindos de Hugo Chávez da Venezuela, do secretário geral do Hezbollah Seyyed Hassan Nasrallah do Líbano e de diversos dirigentes exilados do Hamas, a organização palestina que foi eleita pela população de Gaza. Estes líderes políticos têm sofrido campanhas de desestabilização dos EUA que utilizaram maquinações dos media empresariais, de grupos da oposição financiados a partir do exterior, de assassínios programados, de operações especiais de sabotagem e de operacionais da Internet bem treinados.
Do lado da supostamente "oposição democrática" estão reaccionários como o senador Joseph Lieberman, presidente da poderosa Comissão de Segurança Nacional do Senado, que apelou ao bombardeamento da Síria a seguir ao da Líbia. Os veementes apoiantes da oposição na Síria incluem James Woolsey, antigo director da CIA e conselheiro da campanha presidencial do senador John McCain.
A Wikileaks denuncia o papel dos EUA
Um artigo intitulado "Os EUA apoiaram secretamente grupos da oposição síria", de Craig Whitlock (Washington Post, 18 de Abril) descreveu com grande pormenor as informações contidas em telegramas diplomáticos americanos que a Wikileaks enviou a agências noticiosas de todo o mundo e publicou no seu sítio web. O artigo resume o que esses telegramas do Departamento de Estado revelam sobre o financiamento secreto de grupos políticos da oposição, incluindo a difusão de programação anti-governamental no país através de televisão por satélite.
O artigo descreve esses esforços, financiados pelos EUA, como fazendo parte de uma "campanha já antiga para derrubar Bashar al-Assad, o líder autocrático do país" que assumiu o poder durante o mandato do presidente George W. Bush e continuou com o presidente Barack Obama, apesar de Obama ter afirmado estar a reconstruir as relações com a Síria e ter enviado um embaixador para Damasco pela primeira vez em seis anos.
Segundo um telegrama de Abril de 2009 assinado pelo principal diplomata americano em Damasco na altura, as entidades sírias "consideravam obviamente quaisquer fundos americanos destinados a grupos políticos ilegais como equivalentes a um apoio à alteração do regime". O artigo do Washington Post descreve com algum pormenor as ligações entre a TV Barada da oposição, financiada pelos EUA, e o papel de Malik al-Abdeh, que está na sua direcção e distribui vídeos e protestos actualizados. Al-Abdeh também está na direcção do Movimento para a Justiça e Democracia, que é presidido pelo seu irmão, Anas Al-Abdeh. Os telegramas secretos "relatam receios persistentes entre os diplomatas americanos de que os agentes de segurança sírios tenham descoberto o rasto do dinheiro a partir de Washington".
Papel da Al Jazeera
Talvez que o desafio mais revelador e a denúncia da campanha de desestabilização na Síria tenha surgido com a demissão de Ghassan Ben Jeddo, o jornalista mais conhecido do noticiário da televisão Al Jazeera e chefe do seu escritório de Beirute. Bem Jeddo demitiu-se como forma de protesto pela cobertura preconceituosa da Al Jazeera, referindo-se sobretudo a uma "campanha de difamação contra o governo sírio" que transformou a Al Jazeera numa "agência de propaganda".
A Al Jazeera fez uma cobertura favorável do imparável levantamento popular de milhões no Egipto e na Tunísia. Mas este canal de notícias por satélite também noticiou extensivamente todas as reivindicações e acusações políticas, independentemente de serem ou não consubstanciadas, feitas pela oposição política tanto na Síria como na Líbia. Tornou-se na voz mais forte na região, seguida por milhões de visitantes, a clamar pela intervenção "humanitária" dos EUA, zonas de interdição aérea e bombardeamento da Líbia. Portanto é importante compreender a posição da Al Jazeera como uma corporação de notícias, principalmente quando ela afirma ser a voz dos oprimidos.
A Al Jazeera, que tem a sede em Qatar, nunca noticia que 94 por cento da força de trabalho no Qatar é formada por imigrantes que não têm quaisquer direitos e existem em condições de quase escravatura. A repressão brutal do movimento de massas na monarquia absoluta do Bahrein, que fica mesmo ao lado de Qatar e está hoje ocupada por tropas sauditas, também pouca cobertura recebe da Al Jazeera.
Será que esta censura existe porque as Notícias TV Al Jazeera são financiadas pelo monarca absoluto de Qatar, o emir Sheikh Hamad bin Khalifa Al Thani?
È muito importante assinalar que a Al Jazeera nunca se refere à imensa base militar americana Central Command ali mesmo em Qatar. Os aviões de controlo remoto levantam regularmente daquela base em missões secretas por toda a região. Qatar também tem enviado aviões para participar no bombardeamento dos EUA/NATO na Líbia.
Qatar trabalha em ligação estreita com o Departamento de Estado dos EUA apoiando a intervenção americana na área. Qatar foi um dos primeiros estados árabes, e o primeiro dos estados do Golfo, a estabelecer relações com Israel. Durante o bombardeamento de Gaza por Israel, em 2009, cancelou essas relações mas já propôs restabelecê-las.
O Facebook e a contra-revolução
A CIA e a National Endowment for Democracy tornaram-se especialistas na utilização duma barragem dos media sociais, tal como o Facebook, o Twitter e o Youtube para atulhar os governos visados com milhões de mensagens fabricadas, boatos falsos e imagens.
Alertas fabricados sobre lutas e divisões entre facções rivais nas forças armadas da Síria, com vista a provocar demissões, vieram a provar-se serem falsos. Por exemplo, o major general al-Rifai (Ret.) desmentiu, por não terem fundamento, notícias difundidas por televisão satélite de que estava a liderar uma divisão nas forças armadas. Acrescentou que já se tinha reformado há dez anos.
Izzat al-Rashek, da Comisão Política do Hamas, e Ali Baraka, representante do Hamas no Líbano, desmentiram publicamente afirmações de que a liderança desta organização de resistência palestina estava a mudar-se de Damasco para Qatar. Ali Baraka explicou que isso era uma invenção americana para pressionar Mahmoud Abbas da Fatah e impedir a reconciliação palestina, agudizando o conflito entre os movimentos de resistência e a Síria.
O governo sírio denunciou que franco-atiradores tinham disparado sobre manifestações, visando militares e policiais na tentativa de levar a polícia a abrir fogo sobre os manifestantes.
Boatos, publicações anónimas na Internet e notícias por televisão satélite destinadas a agudizar diferenças sectárias fazem parte da campanha de desestabilização.
Carácter duplo da Síria
Não é difícil perceber porque é que o imperialismo dos EUA e os seus peões na região, incluindo Israel e as monarquias corruptas dependentes da Jordânia, do Qatar e dos Emirados Árabes Unidos e da Arábia Saudita, querem ver uma 'mudança de regime' na Síria.
A Síria é um dos poucos estados árabes que não tem relações com Israel. Várias organizações de resistência palestina têm escritórios no exílio na Síria, incluindo a Hamas. A Síria é um estreito aliado do Irão e do Líbano.
A Síria actualmente não é um país socialista nem país revolucionário. O capitalismo, com as suas inevitáveis desigualdades, não foi derrubado. Há uma classe capitalista na Síria, muita gente dentro dela beneficiou das 'reformas' que privatizaram antigas indústrias anteriormente na posse do estado.
No entanto, o estado sírio representa forças contraditórias. Tem sido um bastião na defesa das conquistas alcançadas nas lutas anti-colonialistas e nos levantamentos das massas árabes nos anos 60 e 70. Durante esse período foram feitas muitas conquistas sociais importantes, foram nacionalizadas as principais indústrias e recursos que tinham pertencido ao capital estrangeiro e foram feitos importantes avanços nos cuidados de saúde garantidos, nos padrões de vida e na educação.
A Síria, sob o Partido Baath Socialista Árabe, é um país rigorosamente laico. Manteve a liberdade de religião para toda a gente, embora sem permitir que um grupo religioso dominasse ou fosse promovido pelo estado.
Mas o regime na Síria também tem reprimido duramente as tentativas dos movimentos de massas, com base no Líbano e na Síria, que pretendiam continuar a lutar. Justificou a repressão dos movimentos passados apontando para a sua posição precária mesmo ao lado de Israel, o impacto das duas guerras israelenses em 1967 e 1973, e a consequente ocupação israelense e anexação da importante região dos Montes Golan na Síria durante 44 anos.
Anos de sanções dos EUA e anteriores tentativas de desestabilização também tiveram um efeito cumulativo. O aparelho de estado, sempre temeroso duma intervenção externa continuada, passou a ter medo da mudança.
É essencial reconhecer este carácter duplo e não desculpar nem ignorar todos os problemas que daí decorrem.
A Síria ainda tem o fardo acrescido de albergar mais de 500 mil refugiados palestinos e seus descendentes nos últimos 63 anos. As condições destes são melhores do que em qualquer dos países vizinhos porque, ao contrário do Líbano e da Jordânia, os cuidados de saúde, o ensino e a habitação são acessíveis aos palestinos na Síria.
O impacto da guerra do Iraque
A maciça invasão americana e a destruição do Iraque vizinho, o debate Bush-Blair sobre um ataque semelhante à Síria em 2003, e as novas e duras sanções sobre a Síria aumentaram a pressão intensa.
Mas o factor mais perturbador nunca é discutido nos media: mais de um milhão e meio de iraquianos invadiram a Síria para fugir aos últimos oito anos de ocupação dos EUA.
Esta foi uma invasão brutal para um país com uma população de 18 milhões em 2006. Segundo um relatório de 2007 do gabinete do Alto Comissário para Refugiados dos EUA, a chegada diária de 2 000 iraquianos desesperados teve um impacto enorme sob todos os aspectos da vida da Síria, em especial nos serviços prestados pelo estado a todos os seus cidadãos e a todos os refugiados. A Síria tem o nível mais alto de direitos cívicos e sociais para refugiados em toda a região. Outros países vizinhos exigem uma conta bancária mínima e impedem a entrada de refugiados pobres.
A chegada inesperada destes refugiados iraquianos teve um impacto dramático nas infra-estruturas, nas escolas primárias e secundárias garantidas, nos cuidados de saúde grátis, na disponibilidade de habitações e noutras áreas da economia. Levou a um aumento de custos a todos os níveis. Os preços dos géneros alimentícios e dos bens básicos aumentaram 30 por cento, os preços do imobiliário de 40 por cento e as rendas de casa em 150 por cento.
Os refugiados iraquianos também beneficiaram dos subsídios estatais sírios na gasolina, na alimentação, na água e noutros bens essenciais fornecidos a toda a gente. Uma massa tão grande de gente desempregada levou ao abaixamento dos salários e a uma concorrência acrescida nos empregos. O impacto das dificuldades económicas globais durante este período difícil agudizou os problemas. (Middle East Institute, 10/Dezembro/2010, relatório sobre Cooperação com Refugiados)
Os EUA criaram a crise de refugiados, que provocou a deslocação de mais de 25 por cento da população iraquiana, por causa da violência sectária. No entanto, são os que aceitam o menor número de refugiados e dão menos do que o custo de um dia de guerra no Iraque para os custos de assistência das Nações Unidas. As sanções americanas na Síria aumentaram as deslocações económicas.
Tudo isto reforçou a consciência do governo sírio e da população quanto aos perigos da ocupação americana e da desestabilização interna e quanto ao banho de sangue que pode resultar da violência sectária instigada pelos EUA.
Washington afirma estar preocupado com a instabilidade na Síria. Mas o imperialismo americano enquanto sistema é obrigado a criar a instabilidade. O domínio esmagador e o poder das corporações militares e petrolíferas na economia dos EUA e os enormes lucros dos contratos militares reforçam infindavelmente o pendor para procurar soluções militares.
Todas as declarações feitas pelo governo sírio têm reconhecido a importância de fazer reformas internas importantes embora mantendo a unidade nacional num país extremamente diversificado que tem diferenças históricas na religião, nas tribos e nas regiões e contém actualmente 2 milhões de refugiados.
As diversas nacionalidades, religiões e grupos culturais na Síria têm todo o direito de fazer parte deste processo. Mas o que eles precisam sobretudo é do fim da constante e cruel intervenção dos EUA.
EUA fora da Síria!
Quando o imperialismo dos EUA se empenha num ataque a qualquer governo ou movimento, os movimentos políticos dos trabalhadores e dos progressistas para uma transformação precisam forçosamente de reunir o maior número de informações disponíveis e assumir uma posição.
É uma cobardia manter-se neutro e é uma traição alinhar com o polvo imperialista, que procura dominar o mundo.
Isto é o ABC dos movimentos dos trabalhadores ao longo dos 150 anos de lutas com consciência de classe. É a própria base do marxismo. Reflecte-se nas canções sindicais que lançam o desafio "De que lado é que estás?" e por intermédio dos dirigentes sindicais que explicam vezes sem conta: "Uma ofensa feita a um é uma ofensa feita a todos".
O mundo árabe está a ser abalado por uma explosão social. O imperialismo americano e todos os antigos regimes da região a ele ligados estão a tentar desesperadamente gerir e conter esta revolta de massas, que ainda está em evolução, canalizando-a de modo a não ameaçar o domínio imperialista na região.
Os EUA e os seus colaboradores também estão a tentar dividir e corroer as duas alas de resistência – as forças islâmicas e as forças nacionalistas seculares – que, em conjunto, derrubaram as ditaduras apoiadas pelos EUA no Egipto e na Tunísia. Há neste momento um esforço concertado dos EUA para virar essas mesmas forças políticas contra dois regimes na região que se têm oposto ao domínio dos EUA no passado – a Líbia e a Siria.
Tanto a Líbia como a Síria têm os seus problemas de desenvolvimento, que são exacerbados pela crise geral do capitalismo global e por décadas de compromissos que lhes foram impostos quando tentavam sobreviver num ambiente hostil de ataques permanentes – políticos, por vezes militares, e que incluíam sanções económicas.
Os bombardeamentos dos EUA/NATO sobre a Líbia clarificaram a posição do imperialismo em relação a este país. Os exploradores transnacionais estão apostados em apoderar-se totalmente das mais ricas reservas de petróleo da África e eliminar os milhares de milhões de dólares com que a Líbia estava a contribuir para o desenvolvimento de países africanos muito mais pobres.
A Síria também é um alvo do imperialismo – por causa da sua heróica defesa da resistência palestina durante décadas e da sua recusa em reconhecer a ocupação sionista. Não podemos esquecer o apoio da Síria ao Hezbollah na sua luta para acabar com a ocupação israelense do Líbano e a sua aliança estratégica com o Irão.
Embora seja difícil compreender uma grande parte da situação interna da Síria, é importante assinalar que, nesta luta em curso, apareceram nítidas declarações de apoio ao governo sírio e contra as tentativas dos EUA de desestabilização vindos de Hugo Chávez da Venezuela, do secretário geral do Hezbollah Seyyed Hassan Nasrallah do Líbano e de diversos dirigentes exilados do Hamas, a organização palestina que foi eleita pela população de Gaza. Estes líderes políticos têm sofrido campanhas de desestabilização dos EUA que utilizaram maquinações dos media empresariais, de grupos da oposição financiados a partir do exterior, de assassínios programados, de operações especiais de sabotagem e de operacionais da Internet bem treinados.
Do lado da supostamente "oposição democrática" estão reaccionários como o senador Joseph Lieberman, presidente da poderosa Comissão de Segurança Nacional do Senado, que apelou ao bombardeamento da Síria a seguir ao da Líbia. Os veementes apoiantes da oposição na Síria incluem James Woolsey, antigo director da CIA e conselheiro da campanha presidencial do senador John McCain.
A Wikileaks denuncia o papel dos EUA
Um artigo intitulado "Os EUA apoiaram secretamente grupos da oposição síria", de Craig Whitlock (Washington Post, 18 de Abril) descreveu com grande pormenor as informações contidas em telegramas diplomáticos americanos que a Wikileaks enviou a agências noticiosas de todo o mundo e publicou no seu sítio web. O artigo resume o que esses telegramas do Departamento de Estado revelam sobre o financiamento secreto de grupos políticos da oposição, incluindo a difusão de programação anti-governamental no país através de televisão por satélite.
O artigo descreve esses esforços, financiados pelos EUA, como fazendo parte de uma "campanha já antiga para derrubar Bashar al-Assad, o líder autocrático do país" que assumiu o poder durante o mandato do presidente George W. Bush e continuou com o presidente Barack Obama, apesar de Obama ter afirmado estar a reconstruir as relações com a Síria e ter enviado um embaixador para Damasco pela primeira vez em seis anos.
Segundo um telegrama de Abril de 2009 assinado pelo principal diplomata americano em Damasco na altura, as entidades sírias "consideravam obviamente quaisquer fundos americanos destinados a grupos políticos ilegais como equivalentes a um apoio à alteração do regime". O artigo do Washington Post descreve com algum pormenor as ligações entre a TV Barada da oposição, financiada pelos EUA, e o papel de Malik al-Abdeh, que está na sua direcção e distribui vídeos e protestos actualizados. Al-Abdeh também está na direcção do Movimento para a Justiça e Democracia, que é presidido pelo seu irmão, Anas Al-Abdeh. Os telegramas secretos "relatam receios persistentes entre os diplomatas americanos de que os agentes de segurança sírios tenham descoberto o rasto do dinheiro a partir de Washington".
Papel da Al Jazeera
Talvez que o desafio mais revelador e a denúncia da campanha de desestabilização na Síria tenha surgido com a demissão de Ghassan Ben Jeddo, o jornalista mais conhecido do noticiário da televisão Al Jazeera e chefe do seu escritório de Beirute. Bem Jeddo demitiu-se como forma de protesto pela cobertura preconceituosa da Al Jazeera, referindo-se sobretudo a uma "campanha de difamação contra o governo sírio" que transformou a Al Jazeera numa "agência de propaganda".
A Al Jazeera fez uma cobertura favorável do imparável levantamento popular de milhões no Egipto e na Tunísia. Mas este canal de notícias por satélite também noticiou extensivamente todas as reivindicações e acusações políticas, independentemente de serem ou não consubstanciadas, feitas pela oposição política tanto na Síria como na Líbia. Tornou-se na voz mais forte na região, seguida por milhões de visitantes, a clamar pela intervenção "humanitária" dos EUA, zonas de interdição aérea e bombardeamento da Líbia. Portanto é importante compreender a posição da Al Jazeera como uma corporação de notícias, principalmente quando ela afirma ser a voz dos oprimidos.
A Al Jazeera, que tem a sede em Qatar, nunca noticia que 94 por cento da força de trabalho no Qatar é formada por imigrantes que não têm quaisquer direitos e existem em condições de quase escravatura. A repressão brutal do movimento de massas na monarquia absoluta do Bahrein, que fica mesmo ao lado de Qatar e está hoje ocupada por tropas sauditas, também pouca cobertura recebe da Al Jazeera.
Será que esta censura existe porque as Notícias TV Al Jazeera são financiadas pelo monarca absoluto de Qatar, o emir Sheikh Hamad bin Khalifa Al Thani?
È muito importante assinalar que a Al Jazeera nunca se refere à imensa base militar americana Central Command ali mesmo em Qatar. Os aviões de controlo remoto levantam regularmente daquela base em missões secretas por toda a região. Qatar também tem enviado aviões para participar no bombardeamento dos EUA/NATO na Líbia.
Qatar trabalha em ligação estreita com o Departamento de Estado dos EUA apoiando a intervenção americana na área. Qatar foi um dos primeiros estados árabes, e o primeiro dos estados do Golfo, a estabelecer relações com Israel. Durante o bombardeamento de Gaza por Israel, em 2009, cancelou essas relações mas já propôs restabelecê-las.
O Facebook e a contra-revolução
A CIA e a National Endowment for Democracy tornaram-se especialistas na utilização duma barragem dos media sociais, tal como o Facebook, o Twitter e o Youtube para atulhar os governos visados com milhões de mensagens fabricadas, boatos falsos e imagens.
Alertas fabricados sobre lutas e divisões entre facções rivais nas forças armadas da Síria, com vista a provocar demissões, vieram a provar-se serem falsos. Por exemplo, o major general al-Rifai (Ret.) desmentiu, por não terem fundamento, notícias difundidas por televisão satélite de que estava a liderar uma divisão nas forças armadas. Acrescentou que já se tinha reformado há dez anos.
Izzat al-Rashek, da Comisão Política do Hamas, e Ali Baraka, representante do Hamas no Líbano, desmentiram publicamente afirmações de que a liderança desta organização de resistência palestina estava a mudar-se de Damasco para Qatar. Ali Baraka explicou que isso era uma invenção americana para pressionar Mahmoud Abbas da Fatah e impedir a reconciliação palestina, agudizando o conflito entre os movimentos de resistência e a Síria.
O governo sírio denunciou que franco-atiradores tinham disparado sobre manifestações, visando militares e policiais na tentativa de levar a polícia a abrir fogo sobre os manifestantes.
Boatos, publicações anónimas na Internet e notícias por televisão satélite destinadas a agudizar diferenças sectárias fazem parte da campanha de desestabilização.
Carácter duplo da Síria
Não é difícil perceber porque é que o imperialismo dos EUA e os seus peões na região, incluindo Israel e as monarquias corruptas dependentes da Jordânia, do Qatar e dos Emirados Árabes Unidos e da Arábia Saudita, querem ver uma 'mudança de regime' na Síria.
A Síria é um dos poucos estados árabes que não tem relações com Israel. Várias organizações de resistência palestina têm escritórios no exílio na Síria, incluindo a Hamas. A Síria é um estreito aliado do Irão e do Líbano.
A Síria actualmente não é um país socialista nem país revolucionário. O capitalismo, com as suas inevitáveis desigualdades, não foi derrubado. Há uma classe capitalista na Síria, muita gente dentro dela beneficiou das 'reformas' que privatizaram antigas indústrias anteriormente na posse do estado.
No entanto, o estado sírio representa forças contraditórias. Tem sido um bastião na defesa das conquistas alcançadas nas lutas anti-colonialistas e nos levantamentos das massas árabes nos anos 60 e 70. Durante esse período foram feitas muitas conquistas sociais importantes, foram nacionalizadas as principais indústrias e recursos que tinham pertencido ao capital estrangeiro e foram feitos importantes avanços nos cuidados de saúde garantidos, nos padrões de vida e na educação.
A Síria, sob o Partido Baath Socialista Árabe, é um país rigorosamente laico. Manteve a liberdade de religião para toda a gente, embora sem permitir que um grupo religioso dominasse ou fosse promovido pelo estado.
Mas o regime na Síria também tem reprimido duramente as tentativas dos movimentos de massas, com base no Líbano e na Síria, que pretendiam continuar a lutar. Justificou a repressão dos movimentos passados apontando para a sua posição precária mesmo ao lado de Israel, o impacto das duas guerras israelenses em 1967 e 1973, e a consequente ocupação israelense e anexação da importante região dos Montes Golan na Síria durante 44 anos.
Anos de sanções dos EUA e anteriores tentativas de desestabilização também tiveram um efeito cumulativo. O aparelho de estado, sempre temeroso duma intervenção externa continuada, passou a ter medo da mudança.
É essencial reconhecer este carácter duplo e não desculpar nem ignorar todos os problemas que daí decorrem.
A Síria ainda tem o fardo acrescido de albergar mais de 500 mil refugiados palestinos e seus descendentes nos últimos 63 anos. As condições destes são melhores do que em qualquer dos países vizinhos porque, ao contrário do Líbano e da Jordânia, os cuidados de saúde, o ensino e a habitação são acessíveis aos palestinos na Síria.
O impacto da guerra do Iraque
A maciça invasão americana e a destruição do Iraque vizinho, o debate Bush-Blair sobre um ataque semelhante à Síria em 2003, e as novas e duras sanções sobre a Síria aumentaram a pressão intensa.
Mas o factor mais perturbador nunca é discutido nos media: mais de um milhão e meio de iraquianos invadiram a Síria para fugir aos últimos oito anos de ocupação dos EUA.
Esta foi uma invasão brutal para um país com uma população de 18 milhões em 2006. Segundo um relatório de 2007 do gabinete do Alto Comissário para Refugiados dos EUA, a chegada diária de 2 000 iraquianos desesperados teve um impacto enorme sob todos os aspectos da vida da Síria, em especial nos serviços prestados pelo estado a todos os seus cidadãos e a todos os refugiados. A Síria tem o nível mais alto de direitos cívicos e sociais para refugiados em toda a região. Outros países vizinhos exigem uma conta bancária mínima e impedem a entrada de refugiados pobres.
A chegada inesperada destes refugiados iraquianos teve um impacto dramático nas infra-estruturas, nas escolas primárias e secundárias garantidas, nos cuidados de saúde grátis, na disponibilidade de habitações e noutras áreas da economia. Levou a um aumento de custos a todos os níveis. Os preços dos géneros alimentícios e dos bens básicos aumentaram 30 por cento, os preços do imobiliário de 40 por cento e as rendas de casa em 150 por cento.
Os refugiados iraquianos também beneficiaram dos subsídios estatais sírios na gasolina, na alimentação, na água e noutros bens essenciais fornecidos a toda a gente. Uma massa tão grande de gente desempregada levou ao abaixamento dos salários e a uma concorrência acrescida nos empregos. O impacto das dificuldades económicas globais durante este período difícil agudizou os problemas. (Middle East Institute, 10/Dezembro/2010, relatório sobre Cooperação com Refugiados)
Os EUA criaram a crise de refugiados, que provocou a deslocação de mais de 25 por cento da população iraquiana, por causa da violência sectária. No entanto, são os que aceitam o menor número de refugiados e dão menos do que o custo de um dia de guerra no Iraque para os custos de assistência das Nações Unidas. As sanções americanas na Síria aumentaram as deslocações económicas.
Tudo isto reforçou a consciência do governo sírio e da população quanto aos perigos da ocupação americana e da desestabilização interna e quanto ao banho de sangue que pode resultar da violência sectária instigada pelos EUA.
Washington afirma estar preocupado com a instabilidade na Síria. Mas o imperialismo americano enquanto sistema é obrigado a criar a instabilidade. O domínio esmagador e o poder das corporações militares e petrolíferas na economia dos EUA e os enormes lucros dos contratos militares reforçam infindavelmente o pendor para procurar soluções militares.
Todas as declarações feitas pelo governo sírio têm reconhecido a importância de fazer reformas internas importantes embora mantendo a unidade nacional num país extremamente diversificado que tem diferenças históricas na religião, nas tribos e nas regiões e contém actualmente 2 milhões de refugiados.
As diversas nacionalidades, religiões e grupos culturais na Síria têm todo o direito de fazer parte deste processo. Mas o que eles precisam sobretudo é do fim da constante e cruel intervenção dos EUA.
EUA fora da Síria!
Avança o projeto de regulação da mídia
Por Samuel Possebon, no sítio do Instituto Telecom:
Discretamente, o projeto de Lei de Comunicação vai sendo lapidado no Ministério das Comunicações e deve começar a ganhar forma definitiva já no próximo mês. O ministro Paulo Bernardo estabeleceu ao grupo de trabalho que está redigindo o documento que conclua até o final de maio um resumo com os principais pontos do texto a ser proposto. Esse briefing deve ser levado à presidenta Dilma Rousseff e depois discutido dentro do governo, especificamente com a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (SECOM) e com o Ministério da Cultura.
Essas discussões internas precedem o debate público, que deve acontecer no segundo semestre. Este noticiário apurou que já está praticamente concluída a modelagem legal que será proposta referente ao setor de radiodifusão e em relação à estrutura regulatória. O que ainda está sendo discutido são as possíveis alterações na Lei Geral de Telecomunicações que poderão ser feitas no âmbito da revisão do marco regulatório.
PGMU
Esta semana o ministro Paulo Bernardo deve levar à presidenta Dilma Rousseff um primeiro esboço das linhas de ações que serão seguidas pelo Minicom em relação ao Plano Nacional de Banda Larga, para atender à exigência presidencial de que se crie uma infraestrutura moderna e capaz de massificar o acesso à Internet a velocidades de pelo menos 1 Mbps.
Paulo Bernardo, após participar do evento promovido pela Anatel e pelo Ipea sobre pesquisa e desenvolvimento, confirmou que já conversou com a presidenta e que deve se encontrar com ela esta semana para tratar do tema. Segundo ele, o ministério já tem algumas propostas a serem levadas, mas só vai torná-las públicas após apresentar para Dilma.
Em relação à vaga ainda em aberto para o conselho diretor da Anatel, Bernardo disse que ainda não tem uma definição dos nomes que serão sugeridos à presidenta e que não deve fazê-lo esta semana.
Discretamente, o projeto de Lei de Comunicação vai sendo lapidado no Ministério das Comunicações e deve começar a ganhar forma definitiva já no próximo mês. O ministro Paulo Bernardo estabeleceu ao grupo de trabalho que está redigindo o documento que conclua até o final de maio um resumo com os principais pontos do texto a ser proposto. Esse briefing deve ser levado à presidenta Dilma Rousseff e depois discutido dentro do governo, especificamente com a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (SECOM) e com o Ministério da Cultura.
Essas discussões internas precedem o debate público, que deve acontecer no segundo semestre. Este noticiário apurou que já está praticamente concluída a modelagem legal que será proposta referente ao setor de radiodifusão e em relação à estrutura regulatória. O que ainda está sendo discutido são as possíveis alterações na Lei Geral de Telecomunicações que poderão ser feitas no âmbito da revisão do marco regulatório.
PGMU
Esta semana o ministro Paulo Bernardo deve levar à presidenta Dilma Rousseff um primeiro esboço das linhas de ações que serão seguidas pelo Minicom em relação ao Plano Nacional de Banda Larga, para atender à exigência presidencial de que se crie uma infraestrutura moderna e capaz de massificar o acesso à Internet a velocidades de pelo menos 1 Mbps.
Paulo Bernardo, após participar do evento promovido pela Anatel e pelo Ipea sobre pesquisa e desenvolvimento, confirmou que já conversou com a presidenta e que deve se encontrar com ela esta semana para tratar do tema. Segundo ele, o ministério já tem algumas propostas a serem levadas, mas só vai torná-las públicas após apresentar para Dilma.
Em relação à vaga ainda em aberto para o conselho diretor da Anatel, Bernardo disse que ainda não tem uma definição dos nomes que serão sugeridos à presidenta e que não deve fazê-lo esta semana.
Protesto em Higienópolis incomoda a mídia
Por Altamiro Borges, postado em seu blog
O “churrascão em Higienópolis”, o protesto irreverente contra o patético elitismo de alguns moradores deste bairro “chique” da capital paulista, continua rendendo comentários na mídia. Nem dava para esconder o sucesso da manifestação realizada no último sábado – que, segundo a PM, mobilizou 700 pessoas e, segundo os mais otimistas, reuniu 4 mil manifestantes.
Cobertura esconde caráter político
No geral, os telejornais trataram o evento como uma grande “festa”, sem ressaltar seu caráter eminentemente político de repúdio ao preconceito de 3.500 moradores que assinaram abaixo-assinado contra a construção de uma estação de Metrô – que traria, segundo uma das signatárias, “gente diferenciada” para o bairro, como mendigos, camelôs e os pobres.
A TV Globo, por exemplo, até deu destaque ao churrascão – o que não é comum na emissora, que sempre esconde ou criminaliza os protestos populares. Mas preferiu tratar o episódio em termos “técnicos”, ouvindo “especialista” do governo tucano sobre a utilidade da estação do Metrô. Evitou abordar o caráter classista do evento, a sua crítica ao preconceito da elite paulistana.
O pitbull da revista Veja
Já alguns “calunistas” tentaram desqualificar o protesto. Reinaldo Azevedo, da Veja, foi um dos mais agressivos – se é que algum dia ele não já foi hidrófobo. Preocupado diante do “preconceito contra os ricos”, até mentiu para agradar seus cegos seguidores. Garantiu que o ato no shopping Higienópolis reuniu “não mais do que 50 ou 60 pessoas – e estou sendo generoso”. Ridículo!
“Eu estava no meio da turma, disfarçado de cachorro, para não ser identificado”, relata Reinaldo, o que reforça o seu apelido de pitbull da Veja. Raivoso, ele afirma que os manifestantes eram os “burguesotes extremistas”, os “festivos” e os “petralhas”, como ele rotula, agressivamente, a militância petista e de esquerda. Pelo tom, o protesto irritou o queridinho da nobre famiglia Civita.
Tentativas de desqualificar o ato
Já Fernando de Barros e Silva, da Folha, foi mais cuidadoso, mas não conteve o veneno. Ele realmente esteve no churrascão – sem qualquer disfarce de cachorro. Eduardo Guimarães até teve um bate-boca civilizado com o jornalista “primário”, conforme relato no Blog da Cidadania. Em sua coluna, ele jura que “não pretendo tirar o brilho do evento”, mas procura desqualifá-lo.
Afirma que o churrascão foi “das classes médias (médias mais altas do que baixas). O povão era residual” – como se isto retirasse a importância da mobilização. Ancorado num amigo, diz que “o protesto parecia um playground revolucionário”. E ainda teoriza: o ato expressou “uma fração de classe reagindo ao sentimento ostensivamente antipovo de representantes dessa mesma classe”.
Razões do incômodo
Este incômodo de setores da mídia pode ter várias explicações. A primeira é a rejeição a qualquer protesto popular. As elites têm medo do povo na rua, seja exigindo direitos ou criticando os desmandos das elites. Gente na rua só é bom quando é manietada, quando serve aos seus interesses de classe – como nas marchas golpistas de 1964, insufladas pela Folha e outros jornalões.
A outra explicação decorre da crescente força da internet. Em três dias, sem qualquer material impresso ou ação mais organizada, centenas de pessoas foram mobilizadas para participar de um protesto contra o preconceito da elite. As redes sociais cumpriram papel determinante. Isto deve apavorar um bocado os opressores e os seus serviçais na mídia.
O “churrascão em Higienópolis”, o protesto irreverente contra o patético elitismo de alguns moradores deste bairro “chique” da capital paulista, continua rendendo comentários na mídia. Nem dava para esconder o sucesso da manifestação realizada no último sábado – que, segundo a PM, mobilizou 700 pessoas e, segundo os mais otimistas, reuniu 4 mil manifestantes.
Cobertura esconde caráter político
No geral, os telejornais trataram o evento como uma grande “festa”, sem ressaltar seu caráter eminentemente político de repúdio ao preconceito de 3.500 moradores que assinaram abaixo-assinado contra a construção de uma estação de Metrô – que traria, segundo uma das signatárias, “gente diferenciada” para o bairro, como mendigos, camelôs e os pobres.
A TV Globo, por exemplo, até deu destaque ao churrascão – o que não é comum na emissora, que sempre esconde ou criminaliza os protestos populares. Mas preferiu tratar o episódio em termos “técnicos”, ouvindo “especialista” do governo tucano sobre a utilidade da estação do Metrô. Evitou abordar o caráter classista do evento, a sua crítica ao preconceito da elite paulistana.
O pitbull da revista Veja
Já alguns “calunistas” tentaram desqualificar o protesto. Reinaldo Azevedo, da Veja, foi um dos mais agressivos – se é que algum dia ele não já foi hidrófobo. Preocupado diante do “preconceito contra os ricos”, até mentiu para agradar seus cegos seguidores. Garantiu que o ato no shopping Higienópolis reuniu “não mais do que 50 ou 60 pessoas – e estou sendo generoso”. Ridículo!
“Eu estava no meio da turma, disfarçado de cachorro, para não ser identificado”, relata Reinaldo, o que reforça o seu apelido de pitbull da Veja. Raivoso, ele afirma que os manifestantes eram os “burguesotes extremistas”, os “festivos” e os “petralhas”, como ele rotula, agressivamente, a militância petista e de esquerda. Pelo tom, o protesto irritou o queridinho da nobre famiglia Civita.
Tentativas de desqualificar o ato
Já Fernando de Barros e Silva, da Folha, foi mais cuidadoso, mas não conteve o veneno. Ele realmente esteve no churrascão – sem qualquer disfarce de cachorro. Eduardo Guimarães até teve um bate-boca civilizado com o jornalista “primário”, conforme relato no Blog da Cidadania. Em sua coluna, ele jura que “não pretendo tirar o brilho do evento”, mas procura desqualifá-lo.
Afirma que o churrascão foi “das classes médias (médias mais altas do que baixas). O povão era residual” – como se isto retirasse a importância da mobilização. Ancorado num amigo, diz que “o protesto parecia um playground revolucionário”. E ainda teoriza: o ato expressou “uma fração de classe reagindo ao sentimento ostensivamente antipovo de representantes dessa mesma classe”.
Razões do incômodo
Este incômodo de setores da mídia pode ter várias explicações. A primeira é a rejeição a qualquer protesto popular. As elites têm medo do povo na rua, seja exigindo direitos ou criticando os desmandos das elites. Gente na rua só é bom quando é manietada, quando serve aos seus interesses de classe – como nas marchas golpistas de 1964, insufladas pela Folha e outros jornalões.
A outra explicação decorre da crescente força da internet. Em três dias, sem qualquer material impresso ou ação mais organizada, centenas de pessoas foram mobilizadas para participar de um protesto contra o preconceito da elite. As redes sociais cumpriram papel determinante. Isto deve apavorar um bocado os opressores e os seus serviçais na mídia.
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