sexta-feira, 13 de abril de 2012

Créditos de carbono e soberania


Editorial do sítioVermelho:

A ameaça à soberania nacional representada pela mercantilização do ar assumiu formas concretas no Brasil quando empresas estrangeiras tentaram chegar a acordos com lideranças indígenas, na Amazônia, para controlar suas terras.
Elas se baseiam num artifício controverso, os chamados REDD, mecanismo de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal (na sigla em inglês), que envolve a contratação, por especuladores capitalistas, do controle sobre áreas florestais consideradas como “captoras” de carbono. A contrapartida recebida pelo investidor é o compromisso de manutenção intacta, “santuarista”, das matas. Além do direito de explorar a mata, ele se beneficia também com a possibilidade de negociar, no mercado mundial de créditos de carbono, os direitos adquiridos dessa maneira, vislumbrando enormes lucros financeiros.

Os povos ou nações contratantes, em tese beneficiados com os investimentos feitos, abrem mão de sua soberania sobre as matas envolvidas e comprometem-se a deter seu próprio desenvolvimento, em nome da preservação ambiental.

São contratos desse tipo que as empresas Celestial Green Ventures (irlandesa) e Viridor Carbon Services (britânica) tentam estabelecer com os povos munducuru e cinta-larga. Pela legislação brasileira, são contratos ilegais e inconstitucionais, não podendo ser reconhecidos juridicamente mesmo porque, para serem efetivados, precisam ser validados pela Funai. A Constituição brasileira proíbe (artigo 231, § 4º), que as terras indígenas ou suas riquezas naturais sejam alienadas a terceiros.

No caso dos munducuru (nação que envolve 13 mil pessoas em 120 aldeias em Jacareacanga, Pará), a controvérsia se estabeleceu inclusive entre a população indígena e revela a clara intenção fraudulenta da empresa estrangeira envolvida. O cacique Osmarino Manhoari Munduruku assegura que o acordo foi feito com apenas 10 pessoas, que não representam a totalidade daqueles indígenas, não tendo delegação para acordos tão drásticos e restritivos a seus direitos.

O projeto é ruim, diz o cacique, pois proíbe aos indígenas, nos próximos 30 anos, “caçar, plantar, pescar, retirar frutas do mato, ou cortar madeiras quando preciso”, e dá à empresa direitos de uso absoluto sobre as terras indígenas, entre eles os de “realizar todas as análises e estudos técnicos, incluindo acesso sem restrições a toda a área aos seus agentes e representantes, com a finalidade de efetuarem a escolha de dados” a pretexto de “máxima validação de crédito de carbono na floresta”. E abrindo a possibilidade, por exemplo, da empresa explorar os direitos sobre a biodiversidade local.

Pelo acordo, a empresa pagaria aos índios US$ 120 milhões (US$ 4 milhões por ano), e teria a perspectiva de obter lucros de US$ 4 bilhões de dólares.

Na reserva cinta larga Roosevelt (parte das terras dessa etnia em Rondônia e Mato Grosso), o cacique Marcelo Cinta Larga recebeu duas caminhonetes da empresa britânica Viridor Carbon Services, que atua no mercado de carbono, em troca da assinatura de um termo de compromisso para estabelecer um acordo semelhante. Uma particularidade: a reserva Roosevelt tem em seu interior uma das maiores minas de diamante do mundo.

Estas são apenas duas das mais de 30 etnias envolvidas, no Brasil, com negócios semelhantes – dos quais apenas um chancelado pela Funai, o acordo entre os suruí (da terra indígena Sete de Setembro, entre Rondônia e Mato Grosso).

A questão é importante. Seu aspecto negocial é apenas parte do problema; os fundamentais são o comprometimento da soberania nacional e a obrigação, imposta por esses acordos, de redução ou contenção do desenvolvimento das áreas envolvidas nos chamados REEDs.

Ambos – o desenvolvimento e a soberania nacional – ficam severamente comprometidos pois o controle sobre a utilização das matas passa a ser gerido de fora do país e à margem da legislação nacional, ficando subordinada às regras impostas pelo contrato assinado com a empresa estrangeira.

O biombo constituído pela ampla aceitação popular sobre medidas de proteção do meio ambiente é abertamente usado pela especulação financeira para negócios altamente lucrativos nesta última fronteira da mercantilização capitalista da natureza – o ar, como já o foram no passado a terra e a água.

22º cine Ceará acontece entre os dias 1 e 8 de junho em Fortaleza/Ce

Por Pedro Paulo S Freire

No mês de junho a cidade de Fortaleza será mais uma vez agraciada para sediar uma edição do Cine Ceará, que a cada ano se fortalece mais dentro do circuito de festivais de cinema nacional

A cidade de Fortaleza será sede entre os dias 1 e 8 de junho do 22º Cine Ceará Festival Ibero-americano de Cinema. Mais conhecido como Cine Ceará, é o mais antigo evento cultural do estado do Ceará e esse ano terá como foco temático As lutas socias da América Latina.

Por se tratar de um fetival Ibero-americano, o Cine Ceará tem peso de evento internacional e conta com produções de países da América Latina, Caribe, Espanha e Portugual. Importante ressaltar que o Cine Ceará, a cada ano que passa, consolida sua importância dentro do circuito dos festivais ibero-americanos de cinema, e que esse ano, a pesar de ter uma semana a menos no seu prazo de inscrição em relação ao período do ano passado, o Cine Ceará 2012 conta com praticamente o mesmo número de longas-metragens inscritos e ainda teve um aumento de 7% entre os curtas-metragens em relação ao Cine Ceará de 2011.

Foram inscritos 105 longas-metragens e 331 curtas-metragens, num total de 436 filmes inscritos de 15 países. Destes, serão escolhidos apenas 8 longas e 12 curtas que serão divulgados em maio e disputarão o troféu Mucuripe. É gente, a disputa é apertada, o que ajuda a elevar qualitativamente o nível na seleção dos filmes, pelo menos na teoria.

Ainda sobre alguns números que penso serem interessantes e relevantes sobre o 22º Cine Ceará: entre os longas-metragens, os filmes estrangeiros representam 37% do total, com 39 filmes. Destaque especial para o cinema argentino, com 16 filmes inscritos e que na minha modesta opinião se consolida a cada ano como uma das grandes realidades entre os produtores mundias de grandes e belíssimos filmes, como um cinema que lida de forma sensível e inteligente com a realidade de seu povo e, também, de questões que são humanos e ultrapassam qualquer tipo de fronteira geopolítica, entretanto... voltando ao Cine Ceará; entre os curtas-metragens, no ano de 2011 foram inscritos 309 curtas, esse ano foram 331, 22 filmes à mais, um aumento de 7%.

As premiações do troféu Mucuripe serão agraciadas entre os longas-metragens nas categorias de melhor filme, direção, fotografia, edição, roteiro, som, trilha sonora original, direção de arte, ator, atriz e prêmio da crítica e entre os curtas-metragens as categorias são melhor filme, direção, roteiro, produção cearense e prêmio da crítica. O Prêmio da crítica para melhor curta e longa metragem será escolhido por um juri formado por mebros da Abraccine (Associação Brasileira de Críticos de Cinema). Também haverá a entrega do troféu Mucuripe de melhor curta da mostra Olhar do Ceará, que será escolhido por um júri de estudantes de universidades de Fortaleza.

O 22° Cine Ceará é uma promoção da Universidade Federal do Ceará através da Casa Amarela Eusélio Oliveira, com apoio do Governo do Estado do Ceará por meio da Secretaria da Cultura, e do Ministério da Cultura através da Secretaria do Audiovisual. A realização é da Associação Cultural Cine Ceará e conta com patrocínio de empresas públicas e privadas, por meio da Lei Estadual de Incentivo à Cultura (SIEC) e da Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet)

Modelo repressivo de combates às drogas se esgotou, diz presidente da Fiocruz

Por Gabriel Bonis, no site cartacapital

Diversos líderes da América Latina têm se unido para propor a descriminalização das drogas como uma política global e opção alternativa ao modelo repressivo apoiado pelas Nações Unidas.

O exemplo mais recente é o do presidente da Guatemala, Otto Pérez Molina. Ele defendeu um novo caminho em artigo no diário britânicoThe Guardian por acreditar que os mercados globais destas substâncias não podem ser erradicados.

Segundo ele, a sociedade não acredita que o álcool ou o tabaco possam ser retirados de circulação, “mas de alguma forma supomos ser uma medida correta no caso das drogas.” Molina lembra que a repressão não diminuiu o consumo – e cita o fato de a produção ter evoluído e o tráfico, se espalhado.

Em entrevista a CartaCapital, Paulo Gadelha, presidente da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e da Comissão Brasileira sobre Drogas e Democracia (CBDD), diz acreditar que o atual posicionamento dos políticos latino-americanos sobre o tema tem origem na constatação de que a guerra às drogas é ineficaz, além de gerar problemas paralelos.

“Há um aumento impressionante de pessoas em prisão em vários países, inclusive nos EUA. Lá os volumes de recursos para o sistema prisional estão se tornando superiores aos de educação. E isso ocorre por não se reconhecer as distinções fundamentais entre o circuito do tráfico e o consumidor”, diz o médico e doutor em saúde pública.

Segundo o presidente da Fiocruz, figuras relevantes na política de guerra às drogas de Bolívia, Inglaterra e EUA estão “revendo radicalmente a estratégia e reconhecendo o seu fracasso”. “É um novo momento de possibilidade de revisão de uma medida comprovadamente incorreta. Insistir nesse processo levará apenas a mais distorções e não atacará as causas do problema.”

Gadelha ainda destaca que a CBDD defende apenas a descriminalização do usuário, com o uso das drogas ainda proibido, e o debate aberto no Brasil. “Na saúde pública, entendemos que a maneira de se preparar as pessoas não é pela repressão, porque ninguém em sã consciência imagina a existência de um mundo sem drogas, o que inclui remédios.”

Leia abaixo a íntegra da entrevista:

CartaCapital – O presidente Molina, da Guatemala, defendeu abertamente uma política global de regulamentação das drogas, pois os mercados globais destas substâncias não poderiam ser erradicados. Como o senhor analisa esse cenário?

Paulo Gadelha – Atualmente existe muito mais vocalização e reconhecimento de que a guerra às drogas mostrou-se ineficaz. Todos os indicadores do mercado de drogas, o processo de violência e formas diferentes como se deu em espaços nacionais – na América Latina, em grande parte, associada à violência e controle de territórios-, durante esse período tiveram números crescentes do volume de droga consumida e comercializada. Há também um aumento impressionante de pessoas em prisão em vários países, inclusive os EUA, por causa das drogas. Lá os volumes de recursos para o sistema prisional estão se tornando superiores aos de educação e outros sistemas sociais. E isso ocorre por não se reconhecer as distinções fundamentais entre o circuito do tráfico e o consumidor. A repressão deveria ser substituída pelo entendimento de que essa é uma questão de saúde pública e tem que ser tratada sem estigmatização.

A discussão precisa ser acompanhada de evidências científicas e estudos que possam demonstrar as bases desse tipo de política e o posicionamento da sociedade em relação às drogas ilícitas de forma tão diferente às licitas (caso do álcool, tabaco e psicotrópicos), que também possuem um nível de impacto na saúde e gestão pública. Há uma quantidade imensa de produtos considerados legais capazes de gerar danos significativos à saúde pública e a maneira como se enfrenta esses problemas é muito distinta. Em um caso, se cria um tabu que marginaliza os necessitados de tratamento e os impede de chegar às estruturas que venham a ser disponibilizadas pelo Estado, porque a criminalização e o estigma têm um efeito nos dependentes de drogas e também atinge a estrutura e os profissionais de saúde, que muitas vezes veem essas pessoas como marginais.

CC – A regulamentação defendida pelo presidente da Guatemala é uma saída a ser considerada?

PG – É preciso tratar de modo diferente as drogas com efeitos e repercussão distintas. Não se pode lidar da mesma forma com a maconha e o crack. A maconha é uma das drogas mais vendidas e consumidas e gera aumento de população carcerário, porque não existe regulamentação para colocar em prática o que é definido por lei: a não criminalização de usuários. Esse processo significa regular a quantidade de droga permitida por usuário e o que qualifica tráfico. A posição consensual na Comissão é fazer a despenalização do usuário, ainda a considerar o uso destas substâncias proibido. Isso significa penas mais administrativas ou formas de serem induzidos a tratamento e acompanhamento. Por uma série de situações conjunturais do Brasil e da forma como se debate timidamente o assunto, defendemos primeiro que haja uma debate aberto assim como ocorreu com a Aids e o tabaco. Quando os casos de Aids se tornaram um problema de saúde pública, o Brasil tratou o tema com toda a sociedade e não apenas junto ao público alvo da doença. Com isso veio a defesa do uso da camisinha e as políticas de redução de danos para usuários de drogas injetáveis.

CartaCapital – Segundo Molina, a sociedade não acredita ser possível extinguir álcool e tabaco, que são nocivos à saúde, mas supõe que essa política se aplique às drogas. Como o senhor analisa essa visão social tão distinta para problemas clinicamente semelhantes?

PG – O primeiro passo é se discutir o problema no âmbito das políticas públicas, sociedade e grupos jovens. Na saúde pública, o fundamental é que as pessoas desenvolvam capacidades de lidar com qualquer risco. Isso é feito com informação e promoção à saúde nos grupos sociais em que se sentem apoiados. Os riscos são de natureza muito distinta, envolvem alimentação, bebida, etc. A pessoa precisa desenvolver a capacidade de lidar com os riscos e ter flexibilidade e saber quando aquilo pode se tornar ingovernável em sua saúde. Mas para isso é preciso abrir uma discussão mais ampla. Na saúde pública entendemos que a maneira de se preparar as pessoas não é pela repressão, porque ninguém em sã consciência imagina a existência de um mundo sem drogas, o que inclui remédios. A regulação, a maneira de lidar com o comércio e produção deve ser diferente para cada droga, mas não se pode criminalizar o usuário, porque ele é vítima.

CartaCapital – O senhor acredita que os países estão dispostos a analisar o tema deixando de lado visões ideológicas?

PG – Ao longo dos trabalhos da comissão, tivemos pessoas que desempenharam papel relevante na guerra às drogas, responsáveis por essa política na Bolívia, Inglaterra e EUA, que mesmo tendo acreditado nesse processo em um devido momento, estão revendo radicalmente a estratégia e reconhecendo seu fracasso. Temos manifestações de países não produtores e não grandes consumidores, mas onde as drogas representam problemas significativos, e também a fala de países que sofreram de forma intensa as consequências do processo do tráfico no âmbito social, a pedir que essa política [de repressão] mude. É um novo momento de possibilidade de revisão de uma medida comprovadamente incorreta. Insistir nesse processo levará apenas a mais distorções e não atacará as causas do problema.

CartaCapital – Como o senhor analisa a movimentação de importantes líderes internacionais em favor de uma revisão da política de repressão às drogas?

PG – Essas manifestações são fundamentais, pois muito do enfrentamento desse tema exige um posicionamento global. Os países estão comprometidos com convenções internacionais ainda sobre a visão da guerra às drogas, e elas geram obrigações e muitas vezes inibem reforma nacionais. O sistema de circulação e produção de drogas também não é restrito a um Estado, tem um circuito internacional. O avanço deste processo de descriminalização e separação do usuário e traficante, como em Portugal, mostrou resultados positivos. A comparabilidade de mais países aderindo a isso pode ajudar no debate nacional.

CartaCapital – Como o senhor enxerga o posicionamento com maior intensidade de líderes da América Latina?

PG – Há também iniciativas importantes em outras partes do mundo. Apesar de esta manifestação estar ainda no âmbito da América Latina, está tendo ressonância em muitas questões dentro dos EUA, onde vários estados estão discutindo e revendo essas políticas, como também no âmbito da ONU. Figuras importantes estão colocando essa pauta como agenda necessária a ser enfrentada em nível internacional e na ONU. Os países latino-americanos foram objeto de experimento da guerra às drogas de maneira intensa e como uma politica externa definida pela ONU e patrocinada pelos EUA. O combate se deu nestes países com a expectativa de que o problema poderia ser resolvido pela violência. O resultado final foi tão frustrante que levou esses países a reverem suas posições.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Mídia já cita relação Veja/Cachoeira


Por Eduardo Guimarães, no Blog da Cidadania:

Está caindo a ficha da grande mídia demo-tucana quanto ao potencial explosivo da vindoura Comissão Parlamentar de Inquérito que investigará as relações entre o bicheiro Carlinhos Cachoeira e empresas privadas, sem prejuízo de suas relações com o governo de Goiás e, sobretudo, com órgãos de imprensa ligados ao PSDB e ao DEM, como a revista Veja. Essa tomada de consciência transparece em denúncias fracas que essa mídia está fazendo ao PT.


A tentativa da grande mídia de envolver também o PT em um escândalo que atinge em cheio dois expoentes da oposição – o senador Demóstenes Torres, do DEM (agora desfiliado), e o governador tucano de Goiás, Marconi Perillo – é absolutamente frágil e busca, apenas, tentar induzir a sociedade à crença de que o partido do governo estaria envolvido com um criminoso que, agora se sabe, é responsável pelas maiores denúncias contra petistas durante a década passada.

As denúncias da mídia contra o PT em nada se comparam ao envolvimento de Perillo com Cachoeira, que transparece em dezenas de nomeações e contratos com o governo de Goiás.

Está sendo usada gravação da Polícia Federal, feita no ano passado, na qual Claudio Abreu, à época diretor da empreiteira Delta, aparece conversando com o araponga Idalberto Matias de Araújo, o Dadá, um dos braços-direitos do bicheiro, sobre tentativa de suborno de Claudio Monteiro, chefe de gabinete do governador de Brasília, Agnelo Queiróz (PT), para que facilite manutenção de contrato de limpeza urbana firmado pelo governo anterior, do demo José Roberto Arruda.

Além disso, também está sendo difundida, com grande destaque, menção da quadrilha de Cachoeira ao subchefe de Assuntos Federativos da Secretaria de Relações Institucionais do governo Dilma, Olavo Noleto.

Contudo, as acusações são tão frágeis que a Polícia Federal não indiciou nenhuma dessas pessoas. A exposição desproporcional dessas escutas que a mídia pretende que atinjam ao PT visa apenas ludibriar a sociedade, fazendo-a pensar que o escândalo em questão seria “suprapartidário”, o que é um absurdo porque escutas da PF mostram que o bicheiro Carlinhos Cachoeira esteve por trás de grande parte das acusações da Veja ao PT.

O ataque da mídia tucana ao PT se torna ainda mais absurdo quando se nota que uma das informações mais estarrecedoras oriunda das escutas da PF, a que versa sobre o envolvimento da Veja com Cachoeira, até agora não havia sido divulgada por nenhum desses grandes meios de comunicação.

Todavia, isso mudou nesta quarta-feira (11/04). A Folha publicou “análise” de seu colunista Fernando Rodrigues em que, ao acusar o PT de “ira mal-resolvida” contra PSDB e DEM por suas condutas durante o escândalo do mensalão, acaba citando um caso que a mídia terá que divulgar, pois o deputado federal do PT de Pernambuco Fernando Ferro já avisou que fará requerimento à CPI pedindo convocação – não será convite, mas convocação – de Roberto Civita, dono da editora Abril, que edita a Veja.

Fernando Rodrigues distorce os fatos na página A7 da Folha de São Paulo de quarta-feira 11 de abril ao dizer que “(…) Os governistas vislumbram a possibilidade de usar a CPI do Cachoeira para constranger jornalistas que usaram as informações do empresário na apuração de reportagens (…)”.

Na verdade, as gravações mostram o bicheiro confraternizando com o editor da Veja Policarpo Jr. por ataques que a revista fizera ao governador petista de Brasília, Agnelo Queiróz. Em outro ponto, as escutas mostram membros da quadrilha afirmando que praticamente todas as matérias da Veja contra o PT partiram de seu chefe, Cachoeira. Há centenas de telefonemas trocados entre Policarpo e Cachoeira que mostram relação íntima entre o bicheiro e a revista.

Até aqui, não há nada minimamente comparável entre petistas e Cachoeira ao que há envolvendo a oposição. Podem até surgir relações do bicheiro com alguém da base aliada, mas o forte empenho do PT, de Lula e do governo Dilma para que a CPI seja instalada mostram que o governismo está disposto a finalmente escancarar a espantosa promiscuidade da mídia demo-tucana e da oposição com o crime organizado.

A praia Girón da mídia golpista


Por Emir Sader, no sítio Carta Maior:

A mídia latino-americana sempre foi golpista. Representante das oligarquias do continente, dirigida por um punhado de famílias (todo país tem seus Frias, Mesquitas, Marinhos, Civitas), sempre esteve envolvida nos golpes militares contra a democracia no continente, do lado dos EUA.

Se a OEA foi chamada por Fidel de Ministério das Colônias dos EUA, a SIP (Sociedade Interamericana de Imprensa) é seu Ministério de Comunicação para as Colônias. Sempre coordenou a ação da mídia nos golpes militares e nas campanhas contra os governos democráticos do continente.

Antes mesmo da campanha que levou Getúlio ao suicídio, em 1954, e derrubou Perón em 1955, a mídia já tinha sido participante fundamental no sangrento golpe na Guatemala, em 1954, que levou esse país a se tornar, nas décadas seguintes, naquele que sofreu os maiores massacres em um continente cheio de massacres.

Há exatamente 10 anos atrás a mídia venezuelana mobilizou e convocou um golpe militar contra Hugo Chávez. O movimento chegou a ter sucesso imediato, uma TV escandinava pode produzir "A revolução não será televisionada”, documentário já tornado um clássico do cinema de documentário sobre a América Latina. O presidente da Fiesp de lá foi nomeado presidente da ditadura que pretendia se instalar e era saudado, no Palácio Presidencial, pelos chefes da Igreja católica, pelos donos das empresas de comunicação, pelos dirigentes dos partidos de direita, enquanto Hugo Chavez era levado por militares para uma ilha e pressionado para assinar sua renúncia.

Assim que soube do golpe, o povo desceu maciçamente às ruas, dirigiu-se ao Palácio, derrubou as grades e entrou no prédio. Assiste-se nesse momento, no documentário, os chefes do golpe fugirem rapidamente pelas portas laterais do Palácio, enquanto o povo penetra nele.

As TVs e rádios golpistas simplesmente deixaram de dar notícias e passaram a projetar desenhos animados. O fugaz presidente golpista tentou enganar a CNN dando entrevista como se estivesse ainda no Palácio Presidencial, mas o próprio entrevistador lhe disse que sabia que ele já estava num quartel, fugindo. A nem veja, nem leia, eufórica, deu mais um “furo”: sua edição da semana saiu, no sábado cedo, com a notícia do golpe que teria derrubado Hugo Chavez como a grande matéria de capa. (Nenhum meio tradicional de comunicação brasileiro, todos com DNA de golpistas, recordou os 10 anos do golpe fracassado na Venezuela.)

Embora houvesse já ma doutrina e um acordo dos governos do continente de se oporem aos golpes militares, sentiu-se o silêcio ou a cumplicidade, e salvo Cuba, nã houve protestos contra a derrubada de um presidente legalmente eleito no continente. O povo venezuelano fez justiça com suas próprias mãos e recolocou Hugo Chávez na presidêcia do pais, para a qual tinha sido eleito por seu voto.

O golpe de 11 de abril de 2002 foi, para a mídia golpista latino-americana, o que a também fracassada invasão de Praia Giron foi para o imperialismo norteamericano: sua primeira grande derrota, que demonstrou que o povo do continente não a aceitar mais que ela pusesse e tirasse governantes no continente. Que agora é o povo quem decide seu destino na América Latina.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

II Mostra Cinema e Filosofia, da Condição Humana - Abril 2012 no Centro Cultural BNB de Fortaleza/CE


O Cineclube do Centro Cultural Banco do Nordeste exibirá no mês de abril a II Mostra Cinema e Filosofia, da Condição Humana!

Dias 03, 10, 17 e 24 de Abril, as 17 horas, no Cine Clube do Centro Cultural BNB. Rua Floriano Peixoto, nº 941, centro. Fortaleza/CE . ENTRADA GRATUITA


Dia 03 - Ensaio Sobre a Cegueira, de Fernando Meireles
Dia 10 - 12 Homens e Uma Sentença, de Sidney Lumet
Dia 17 - Fonte de Vida, de Darren Aronofsky
Dia 27 - 2º feira ao Sol, de Fernando Leon de Aranoa

Dia 03/04, 3ºfeira, as 17 horas

Ensaio Sobre a Cegueira, de Fernando Meirelles

Enredo

A história de uma inédita epidemia de cegueira que se abate sobre uma cidade não identificada. Tal "cegueira branca" - assim chamada, pois as pessoas infectadas passam a ver apenas uma superfície leitosa - manifesta-se primeiramente em um homem no trânsito e, lentamente, espalha-se pelo país. Aos poucos, todos acabam cegos e reduzidos a meros seres lutando por suas necessidades básicas, expondo seus instintos primários. O filme segue a mulher de um médico, a única pessoa que não é afetada pela doença, após os afetados pela epidemia serem colocados em quarentena.

Baseado no livro de mesmo título do escreitor José Saramago

Blindness, Brasil, Canadá, 2008. Direção: Fernando Meirelles. Elenc

o: Julianne Moore, Danny Glover, Alice Braga, Mark Ruffalo, Gael García Bernal, Don McKellar, Maury Chaykin, Martha Burns. 120 minutos. Colorido. Drama . 16 anos

Debatedora: Valéria Dallegrave, professora de jornalismo e Cinema



Dia 10, 3ºfeira, as 17 horas

12 Homens e Uma Sentença, de Sidney Lumet

Enredo

Doze jurados se reunem para decidir se um jovem porto riquenho, acusado de matar o próprio pai, deve ser condenado a pena de morte ou inocentado. A decisão de ver ser unanime e onze jurados, cada um com sua razão, votam pela condenação. Ma há um único jurado que acredita na inocência do garato. Enquanto ele tenta convencer os outros a repensarem suas sentenças, o filme vai desvalando a personalidade e caracter de cada jurado, mostrando que tipo de convicções pessoais os levaram a considerar o garoto culpado, fazendo com que pensem sobre si mesmos e seus próprios preconceitos.

12 Angry Men, EUA, 1957. Direção: Sidney Lumet. Elenco: Martin Balsam, John Fiedler, Lee J. Cobb, E.G. Marshall, Jack Klugman, Edward Binns, Jack Warden, Henry Fonda, Joseph Sweeney, Ed Begley, George Voskovec, Robert Webber, Rudy Bond, James Kelly, Billy Nelson. 96 minutos. Drama . Preto e Branco. 14 anos

Debatedora: Camila Vieira, jornalista do Jornal O POVO e mestre em comunicação pela UFC (Universidade Federal do Ceará)


Dia 17, 3ºfeira, as 17 horas

Fonte de Vida, de Darren Aronofsky

Enredo

Na Espanha do século 16, o navegador Tom

as Creo parte para o Novo Mundo em busca da lendária árvore da vida. Nos tempos atuais a mulher do pesquisador Tommy Creo está morrendo de câncer, mas ele busca desesperadamente a cura que pode salvá-la. Uma terceira história une as duas primeiras: no século 26, o astronauta Tom finalmente consegue a resposta para as questões fundamentais da existência.

The Fountain, EUA, 2006. Direção: Darren Aronofsky Elenco: Hugh Jackman, Rachel Weisz, Marcello Bezina, Alexander Bisping, Ellen Burstyn, Cliff Curtis, Sean Gullette, Mark Margolis. 96 minutos. Drama. Colorido. 16 anos

Debatedor: Alberto Gadanha, professor de filosofia da UECE


Dia 24, 3ºfeira, as 17 horas

2º feira ao Sol, de Fernando Leon de Aranoa

Enredo

Uma cidade costeira no norte da Espanha sofre com seu isolamento quando seus estaleiros começam a ser fechados, deixando vários trabalhadores desempregados à mercê de pequenas ocupações temporárias. Entre eles está um machão rebelde e auto-suficiente que se recusa a admitir o fracasso. Mas a verdade é que ele e seus companheiros, dos quais ele se torna uma espécie de líder, são perdedores completos que disfarçam de maneira tragicômica as suas maiores fraquezas e frustrações.

Los Lunes al Sol, Espanha, 2002. Direção: Fernando Leon de Aranoa Elenco: Javier Barden, Luís Tosar e Nieve de Medina. 113 minutos. Drama. Colorido. 14 anos

Debatedor: A ser definido

Morro do Céu no Cineclube Vila das Artes


Por Assessora de Comunicação da Vila das Artes

O Cineclube Vila das Artes dá continuidade, em abril, à Mostra de Cinema Brasileiro Contemporâneo, com filmes de curta e longa duração que representam aspectos e possibilidades da produção audiovisual recente no Brasil. A primeira sessão do mês acontece nesta quarta (4), a partir das 18h30, e apresenta o documentário "Morro do Céu" (2009, RS), cuja narrativa se desenvolve em Morro do Céu, uma pequena comunidade de descendentes de italianos localizada no alto de uma montanha no sul do Brasil. Lá, o jovem Bruno Storti e seus amigos preenchem os dias de verão entre túneis de trem, a colheita da uva e a descoberta do primeiro amor (trailer).

A direção é do gaúcho Gustavo Spolidoro, um dos fundadores da produtora cinematográfica portoalegrense Clube do Silêncio e um dos organizadores do festival Cine Esquema Novo. Dirigiu também o longa "Ainda Orangotangos" (2007), vencedor do prêmio de Melhor Filme no 13º Festival de Milão. Após a exibição, haverá debate com Diego Hoefel, professor do curso de Cinema e Audiovisual da Universidade Federal do Ceará.

A curadoria da Mostra foi assinada pelo cineasta Guto Parente, integrante da Alumbramento Filmes e ex-aluno da primeira turma do Curso de Realização em Audiovisual da Vila das Artes.

Programação

Dia 4 - Morro do Céu (Direção: Gustavo Spolidoro. 71 min, 2009, RS)

Dia 11 - Testemunha 4 (Direção: Marcelo Grabowsky. 67 min, 2011, RJ)

Dia 18 - O Gerente (Direção: Paulo César Saraceni. 81 min, 2011, RJ)

Dia 25 - O Céu Sobre os Ombros (Direção: Sérgio Borges. 71 min, 2010, MG)

Serviço

Cineclube Vila das Artes. Mostra de Cinema Brasileiro Contemporâneo. Filme "Morro do Céu" (2009). Quarta (4), às 18h30, na Vila das Artes (Rua 24 de Maio, 1221, Centro). Entrada gratuita. Informações: 3105-1410.